“Desejo Proibido” fecha cortinas sem falhas. E sem explosão de audiência

“Desejo Proibido” fecha cortinas sem falhas. E sem explosão de audiência

Cristina Padiglione

04 de maio de 2008 | 16h52

O título era obviozinho, a abertura, pouco convidativa, mas “Desejo Proibido”, a novela que a Globo acaba de tirar do ar, era um afago no fim de tarde de qualquer cidadão. Aquela fala mineirinha, aquele elenco, aqueles pares de química certa (ao contrário do que se dá na novela das 9). Marcos Caruso, Jandira Martini, Cássio Gabus, Lima Duarte, Othon Bastos, Eliana Fonseca, gente boa e bem aproveitada, coisa rara de se ver nessa indústria televisiva.
Ali estavam também os bonitinhos, mas não ordinários. Murilo tudo-de-bom Rosa, Fernanda Vasconcelos, Daniel Oliveira e Pedro Neschling ganham closes sem esquecer competência.

Com o bom texto de Walther Negrão, idem à direção de Marcos Paulo, tudo nos eixos, elementos clássicos e a já manjada liderança da Globo, “Desejo” teve, até a quarta-feira da semana passada, 23 pontos de média. O capítulo final foi a 32. Modestos para o histórico de novela das 6, os dados endossam que a Globo tem de se contentar com novos patamares de audiência. Não porque a Record e a Band de Datena tenham engordado seus índices no horário (o fermento dessas foi mais subtraído do SBT do que da Globo), mas porque a platéia jovem que costuma engrossar esses números está cada dia mais plugada na web. Sem falar que cai sem parar, há pelo menos 10 anos, o número de pessoas que chegam em casa a tempo de ver novela das 6.

Quem sabe o produto não ganhe novo fôlego quando a TV portátil estiver por aí, nas mãos de todos? Até lá, haja inclusão digital. Mas ver uma história que remete a café e bolo de fubá em pleno congestionamento vai ser um trem bão demais da conta.

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