“Banana” de Cortez, inspirado em banqueiro real, endossa que o “Brasil não é mais o mesmo”

“Banana” de Cortez, inspirado em banqueiro real, endossa que o “Brasil não é mais o mesmo”

Cristina Padiglione

30 Junho 2011 | 21h31

FOTO: BLENDA GOMES/DIVULGAÇÃO TV GLOBO

Autorreferência explícita à clássica cena de Vale Tudo em que Marco Aurélio (Reginaldo Faria) dá uma banana ao País, do alto de seu jatinho, em fuga bem-sucedida com a mulher, Leila (Cássia Kiss), a cena exibida anteontem em Insensato Coração, do mesmo Gilberto Braga, em parceria com Ricardo Linhares, é a evidência de que o País mudou nesses 22 anos. Na sequência da vez, o banqueiro Cortez (Herson Capri) tenta fugir do País com uma mala de dólares, tal e qual Marco Aurélio, e igualmente encena com os braços a sua banana, mas… Ops, é detido antes que o avião decole. Em 1989 tocava Brasil, na voz de Gal Costa. Agora, foi Renato Russo quem deu o tom, com Que País É Esse?

“A banana de Marco Aurélio, em Vale Tudo, entrou pra história da telenovela. Foi um gesto emblemático, representativo da fase que atravessávamos então”, endossa Linhares. “É o símbolo de uma época de impunidade. Daquela vez, o bandido fugiu e ficou impune. Agora, ele é preso. A retomada do gesto tem como objetivo mostrar que o Brasil não é mais o mesmo. Ainda que lentamente, o País está mudando. Corrupto pode ir para a cadeia.”

O autor conta que a personagem é inspirada em similares reais. “Não posso citar nomes, mas foram a inspiração para criar Horácio Cortez. O próximo passo é o julgamento e a condenação do banqueiro por crimes contra o sistema financeiro. Reflexo de um momento em que os maus começam a se dar mal na trama, a audiência de Insensato Coração bateu novamente seu recorde na terça, com 43 pontos de audiência na Grande São Paulo, onde 66% dos televisores ligados sintonizaram a Globo no horário.