Crise de elenco grita na Record

Cristina Padiglione

01 de junho de 2010 | 15h58

A Record botou no ar uma reprise de Mutantes, Caminhos do Coração às 7 da noite. Aos desavisados que sintonizam a emissora nesse horário, ué, ué, ué, fica a dúvida sobre uma possível mudança de horário da novela principal da temporada, Ribeirão do Tempo. Boa parte do elenco é a mesma.

Há alguns anos produzindo folhetins, já era tempo de a TV do Edir encontrar mais disposição em investir em novos talentos e não apenas esperar pelas sobras da Globo. Quando digo “sobras”, por favor, não vai aí necessariamente um parecer de demérito aos ex-Globo. Há na Record alguns (poucos) atores muito bons, como o Caio Junqueira e o Angelo Paes Leme. Mas, agora, sem Gabriel Braga Nunes e Marcelo Serrado, o time de estrelas é menor que nunca e até agora nada de aparecer talento promissor capaz de despertar a cobiça da concorrência.
O SBT fez isso magistralmente durante o tempo em que melhor apostou em telefolhetins. De lá saíram Ana Paula Arósio, Caio Blat, Bárbara Paz e Maria Fernanda Cândido, sem contar aqueles que não foram exatamente descobertos sob as asas de Silvio Santos, mas por lá passaram antes de acontecer na Globo, como Lu Grimaldi (ex-TV Manchete).
É notória a falta de disposição da direção de teledramaturgia da Record em apostar, arriscar, investir em novos atores, coisa que não falta pelos palcos de São Paulo, Rio, Curitiba, Recife ou Salvador. É só querer.

O máximo que pode acontecer é criar um revezamento saudável de elenco, sem desgastar os três gatos pingados que fazem a diferença, e encontrar gente que a Globo possa cobiçar. Fora da dramaturgia o canal parece mais bem-sucedido: estão aí os casos de Ana Hickmann, que vai bem, obrigada, no comando das tardes de domingo, e de Rodrigo Faro, um ex-Globo, sim, mas com potencial inteiramente inédito revelado pela Record. O máximo que pode acontecer, uai, é a Globo cobiçar.
Mas, afinal, não é isso que a Record tanto almeja, ser invejada pela Globo?

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