‘CQC’ promete, mas ainda é mais do mesmo

‘CQC’ promete, mas ainda é mais do mesmo

Cristina Padiglione

10 Março 2015 | 01h52

cqc

A troca de Marcelo Tas por Dan Stulbach na ancoragem do CQC evidencia que, embora o elenco responda por boa parte do sucesso ou do fracasso do programa, o produto em questão está muito amarrado a um formato – talvez mais do que aos profissionais que o fazem. De perfis muito distintos, Tas e Dan contam três letras cada um nos respectivos nomes pelos quais são chamados, mas nem por isso deveriam ser comparados. É inevitável, no entanto, não concentrar atenção no centro daquela bancada, ponto mais forte de uma receita que há sete anos vinha mostrando uma cara e que agora tem outro rosto. A tentação de ver um e lembrar do outro é quase instintiva, mais forte que os motivos racionais para frear qualquer paralelo entre eles.

Até porque muito do texto dito por Tas, do ritmo às expressões, está no texto de Dan. Um ritmo de festa contagia a bancada, ontem e hoje, outra ideia que não se abala. O contexto acaba moldando as figuras daquela mesa, não tem jeito: o Dan do circo do CQC não seria o mesmo Dan do sofá intimista do Saia Justa, do GNT. Também por isso, o ator surpreendeu quem esperava dele um tom mais ameno.

A bancada nova se fortalece na multiplicidade de tarefas trazidas pelos dois novos componentes – um ator e um músico – o que amplia a versatilidade do script do trio, composto também por Marco Luque, único remanescente do time original. Os dotes extra-apresentador de Dan e Cortez foram bem usados na estreia. 

O ponto alto da nova bancada foi fazer piada com a própria desgraça. Ou, no caso, a desgraça histórica do CQC: Wanessa Camargo, pivô da saída de Rafinha Bastos daquela mesa em 2011, foi personagem do Top 5, culpa do Programa do Gugu, que veiculou sua música só para os telespectadores, mas não no estúdio onde ela se encontrava. Deu-se então que os três simularam todo um pudor em pronunciar o nome da cantora. “Fala aí da Wanessa Camargo”, pediu Dan a Rafa Cortez, agora sentado na cadeira que foi de Rafinha, à direita do âncora. “Eu? Falar da Wanessa? Neste lugar? Nem vem, Dan, eu quero ficar neste programa”, rebateu.

O time de novos repórteres mostra algum avanço, e, que bom, mantém Maurício Meirelles, profissional que consegue espetar os entrevistados, sem esbarrar na agressividade. Os novos contratados se saem bem, sem risco, ao menos por enquanto, de ter a competência e o cinismo, necessários à função, atropelados pela vaidade. Loas à matéria sobre os carros de quilometragem adulterada, de Defesa do Consumidor, ao pavoroso caso da mineradora de Paracatu e ao Simuladores, com o golpe do espelho retrovisor. Boa também foi a postura cheia de graça de Meirelles com Will Smith e Margot Robbie, que conversaram com ele sobre seu novo filme, Golpe Duplo, que traz Rodrigo Santoro no elenco.  

Afora os entrevistados de Los Angeles, devidamente agendados pelos relações públicas do filme, foi ruim a escolha de convidados para uma estreia tão anunciada.

Maluf, de novo? Zzzzzzz. Não há mais ninguém que saiba rir de si no Congresso? João Kléber como paquerador solteiro também foi fraco. É um personagem relativamente fácil de convencer a aparecer. Mas houve coisa pior: Luiz Bacci, santo de casa, reinaugurou o CQTeste, como convidado de reestreia da seção de Rafael Cortez. A volta do quadro, em edição ainda mais high-tech, merecia figura menos acessível do que uma que se encontra no corredor da firma.

Faltaram personagens de maior relevância. E era estreia. Quem virá a seguir? Datena? Boechat? Carioca? É preciso sair da zona de conforto. E isso, o novo CQC não conseguiu, ainda, apesar dos esforços de mudar a cara, sem contudo mexer no coração.