Contestação ao Ibope é cena antiga

Cristina Padiglione

04 de dezembro de 2009 | 19h01

A Record, que até a semana passada adorava divulgar números de sua audiência, passou a duvidar pulicamente do Ibope desde que o instituo começou a falhar nas noites de domingo, o que ocorreu já por duas semanas seguidas.
É bem a faixa onde a emissora tem seus melhores êxitos, ainda mais com o reality show “A Fazenda”.
É bem o horário em que a Globo mais tem de dividir o bolo, perdendo parte de sua plateia para o “Pânico” e para o Silvio Santos original, no SBT, além de Gugu e “Fazenda” na Record.

Convém lembrar que as contestações ao Ibope já tiveram, num passado distante, o SBT no lugar de contestador. Houve um tempo em que a TV do Silvio até botou no ar a campanha da “Caça ao Aparelhinho de TV”, que convidava seu espectador a encontrar algum, um só cidadão, que possuísse, em casa, um aparelhinho people meter, aquele que coleta dados das televisões de cada casa da mostra montada pelo Ibope para indicar quantos pontos porcentuais tem cada emissora.
Deu em nada.
Alguns anos depois, Silvio Santos conseguiu, a duras penas, botar em pé um instituto próprio de pesquisas, o Datanexus, que operava com um aparelhinho de mesmo princípio que o people meter. Era o Alfonsímetro, criado pelo então engenheiro do SBT, Alfonso Aurin.
O mercado prestou atenção nas diferenças apontadas pela medição de um e de outro, que às vezes denunciava até 20% de discrepância (para cima, no Ibope, e para baixo, no Datanexus)à Globo. Mas, sendo o instituto financiado pelo SBT, faltava-lhe isenção para endossar credibilidade. Assim, não durou muito.
O Datanexus, de alguma forma, endossava o ranking das emissoras, mas, naquele tempo, a distância entre um canal e outro era maior, a Globo era mais hegemônica e até o Data Folha, em pesquisas de campo, apontava coerência com a ordem dos fatores registrada pelo Ibope.
E o Datanexus saiu de cena, voltando a reinar apenas o Ibope.
Sustentado por agências e emissoras, o serviço de medição de audiência é dispendioso e não há, segundo o Ibope, espaço para duas empresas num mesmo mercado, no caso do Brasil. Seja ou não verdade, entre os tantos contestadores que até aqui se insurgiram contra o instituto, ninguém conseguiu mudar esse quadro. De mais a mais, quando os números eram favoráveis ao SBT, mesmo nos dias em que o canal mais suspeitou do instituto, o SBT bem que acreditava no Ibope, e a cena com a Record, nos dias atuais, não é diferente.

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