Condição da Record como QUASE vice se arrasta

Cristina Padiglione

16 de setembro de 2006 | 14h35

Faz tempo que a Record alardeia sua vice-liderança na faixa das 18h às 24h sobre o SBT, mas a superioridade da TV de Silvio Santos na audiência do restante do dia (das 7h às 18h) ainda impede que a TV de Edir Macedo se proclame dona do segundo lugar no viciado ranking de audiência da TV no Brasil.

A julgar pela tendência do último ano, com perda significativa na platéia do SBT e crescimento de público na Record, a virada, em tese, até já teria se consumado. A Record investiu os tubos em novelas e na contratação de caras chanceladas pelos noticiários da Globo. Mas…
O que tem freado a ambição da Record?

1) A alternância de ibope entre uma novela e outra atrasa um quadro consolidado. “Essas Mulheres” não repetiu os índices de “Escrava Isaura”. Veio então “Prova de Amor”, que motivou a Globo a sufocar o crescimento da concorrência. Diante da novela seguinte da Record, “Bicho do Mato”, a Globo reduziu o número de intervalos de sua “Cobras e Lagartos” para impedir o zapping do telespectador. E teve efeito: de 15 pontos, a faixa das 7 na Record agora está nos 11. Não que esse patamar seja baixo para uma novela fora da Globo, mas já representa um recuo que atrasa o avanço do bispo.
2) A falta de planejamento para o restante da grade, que sofre alterações ainda constantes (e, nesse ponto, mas só aí, a Record imita mais o SBT do que a Globo). Exemplo: os investimentos do “Jornal da Record” ficaram mais na fachada (cenário de “Jornal Nacional” e rostos de “JN”, sem nada que se compare ao conteúdo “JN”). Copiaram a embalagem, mas o recheio não chega nem perto.

Ironia do caso: o segundo lugar do SBT tem sido salvo mais pela Globo do que pelo próprio SBT, cuja falta de planejamento só conspira a favor do crescimento da Record.

Noves fora, é ótimo ver todo mundo se mexendo num quadro de audiência até bem pouco tempo estagnado. Pena que a insegurança vigente diante desse painel iniba ainda mais a criatividade do setor. Sabe comé: na dúvida, os programadores de TV só oferecem o manjado PF, Prato-Feito, com medo que temperos mais ousados afastem parte da clientela.

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