Closes pós-futebol são filmes de terror

Cristina Padiglione

08 de dezembro de 2008 | 17h40

Alguém por favor dê um jeito nessa overdose de closes que permeia as entrevistas coletivas pós-jogos de futebol, seja de técnicos ou de jogadores. Com recomendação expressa para não deixar vazar no plano de foco qualquer menção ao patrocinador que estampa o fundo da imagem, os câmeras têm fechado radicalmente no rosto dos entrevistados, inclusive cortando parte do queixo e da testa de quem está falando.

É horrorível, ainda mais a considerar que a maioria desse elenco não merece close nem aos olhos da própria mãe. Você olha aquele carão, normalmente repleto de falhas na pele, usualmente nada bonitinho (para usar aqui um eufememismo) e grita de medo. Oras bolas, se é para trocar de canal, melhor seria, aos olhos dos dirigentes desse métier, permitir planos menos fechados, por que não? Por que não manter lá o áudio da entrevista e enrolar o espectador com uma edição do tipo replay de melhores momentos enquanto o sujeito fala?

Seja lá como for, do jeito que a coisa vai, não haverá close que baste na queda de braço com o anunciante. Já tem gente botando o nome da marca no microfone do entrevistado. E logo logo será necessário driblar a exposição do patrocinador de outro modo, amém.

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