Clara passou de vilã a vítima por obra da pedofilia sofrida

Clara passou de vilã a vítima por obra da pedofilia sofrida

Cristina Padiglione

15 de janeiro de 2011 | 20h45

Sim, estou de férias, mas não me contive.
Do final de Passione, a novela das 9 que acabou ontem na Globo, fica a certeza de que a pérfida Clara (Mariana Ximenez) foi plenamente absolvida pela audiência ao ter seu passado, de infância cafetinada pela avó cruela, revelado ao público daquela forma.
Se era para ver Saulo (Werner Shünemann) planejar o assassinato do próprio pai e pegar uma criança, no caso a ainda pequena Clara, para mandá-la pular “no colo do titio”, arghhhhh, que nojo, morra, Saulo!

A pedofilia não entrou na novela pela tara de Gerson (Marcello Anthony), ou até entrou, já que o drama dele tinha origem nos abusos da vovó escroque, que foi sua babá, mas entrou especialmente pela infância roubada da assassina da trama.
Afinal, vilão que se respeite, tem de ter ponto fraco, tem de ter um motivo para matar e roubar, ainda que nem toda vítima da vida resulte num homicida, ainda bem.
O caso é que vilão como Saulo, sujeito mau porque mau e ponto final, não merece clemência.
Saulo e a vovó cafetina, Valentina (Daysi Lúcidi) foram os grandes vilões da história de Silvio de Abreu.

A chatice completa do desfecho foi aquele casal Mauro (Rodrigo Lombardi) e Melina (Mayana Moura). Ficou a parecer que faltava par para ambos e o jeito foi unir a moça mimada ao sujeito que proclamou vê-la como uma irmã por quase 200 capítulos. Incesto total.

E dona Bete Gouveia, poverina da Fernanda Montenegro, passou oito meses em busca de respostas que o autor lhe privou.
Não merecia acabar na ignorância do assunto, ainda que para uma mãe com filho como Saulo, melhor é não ter consciência do monstro parido.

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