Chegou a hora de malhar o Judas: vem aí mais um Big Brother Brasil

Cristina Padiglione

29 de dezembro de 2008 | 18h39

Para quem pragueja pelo fim do formato do “Big Brother” há pelo menos cinco anos, boa notícia: vem aí a 9ª edição do reality show da Endemol, a partir do dia 13 pela TV Globo, com todos os bons proveitos que os negócios paralelos das Organizações Globo podem usufruir do título. A saber: o canal em pay-per-view da GloboSat já tem mais assinantes do que qualquer outra edição, e o canal Multishow, que durante os três meses iniciais do ano costuma encabeçar o ranking de audiência na TV paga, já vem mordendo sua fatia da nova rodada.

Depois de apresentar o “Nem Big Nem Brother”, Diego Alemão voltará ao Multishow para comandar o programa “A Eliminação”, que estréia dia 8 de janeiro em formato especial, excepcionalmente às 22h45. No dia 15, o programa retorna ao seu horário normal, todas as quintas-feiras, às 23h15. O vencedor da 7ª edição do reality show fará entrevistas exclusivas com os participantes recém-eliminados da casa e enquetes com o público nas ruas para acompanhar a repercussão do programa.

Por todas as contas que bombam a audiência da Globo, do Multishow e do ppv GloboSat nessa temporada, e pela tonelada de e-mails de queixas que chegam à redação para maldizer o BBB, não tem erro: este é um daqueles programas que a massa adora odiar. É hora de malhar o Judas, com todo o despudorado prazer que isso representa. Pode até ser que um considerável time deteste o programa pela fraqueza de se entregar à dependência causada pelo espetáculo (daí o conteúdo detalhista das cartas que nos chegam, sempre bem-informadas sobre o que se passa dentro da casa). Chega a ser divertido. Com todo o respeito àqueles que não gostam e de fato não vêm o programa, um grande público encontra no Big Brother o seu alvo de exorcismo, o mote que lhe faz parecer intelectualmente superior, e a escalação do elenco só faz corroborar nossa ilusão de grande pensador. É fácil, e por que não dizer gostoso, bater nos bastidores daquela casa, meter-se numa vida alheia que não diz respeito a nenhum de nós e cujos escândalos nos são oferecidos de bandeja, à custa de alguma dose alcoólica oferecida aos personagens do picadeiro, vá lá.

De mais a mais, se a platéia estivesse assim tão ofendida com o show do Projac, haveria de debater com mais ênfase o conteúdo da TV Cultura e do Canal Futura, só para o caso de quem não está a fim de desligar a TV.

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