Chefão da Globo mostra disposição em arriscar novas ideias

Chefão da Globo mostra disposição em arriscar novas ideias

Cristina Padiglione

03 de abril de 2014 | 13h36

Em entrevista a um pequeno grupo de jornalistas do qual fiz parte, nesta manhã, o diretor-geral Carlos Henrique Schroder, disse que a emissora quer “arriscar” e “fazer tentativas até encontrar” ideias e fórmulas que agradem ao público. A conversa aconteceu na sede da TV Globo de São Paulo.

crédito: Zé Paulo Cardeal/Divulgação

“Nós queremos incentivar um ambiente criativo, abrir nosso porfólio, surpreender o público com novidades no ar”, disse. “A novela das 6, (‘Meu Pedacinho de Chão’, que estreia nesta segunda) é um bom exemplo”, admitiu. Schroder disse que a empresa acredita no produto, mas testar seu impacto junto ao público é mais importante do que fixar metas de audiência para ele.

Para alimentar o campo de novas ideias, o diretor criou fóruns de reflexão em cinco segmentos: séries, novelas, humor, variedades (auditório) e novos formatos. Os times se reúnem semanalmente e discutem novas tendências, o que parece estar funcionando ou não. O momento vivido pela emissora, que na semana que vem lança um programa de humor onde será capaz de rir de si mesma, passa por essas rodas. O time que compõe o fórum de humor, aliás, é formado por Fábio Porchat, Guel Arraes, Cláudio Manoel, Maurício Farias, Marcelo Adnet, Bruno Mazzeo, Cláudio Paiva e Jorge Fernando. Só o grupo de novelas ainda não começou a funcionar.

SÉRIES

Apesar de abrigar dois grandes eventos este ano – Copa e eleições – o calendário de 2014 terá quatro programas a mais que em 2013. Segundo Schroder, a emissora produziu 12 produtos no ano passado na linha de shows da faixa nobre e fará 16 títulos este ano. Isso significa temporadas mais curtas e um franco investimento em séries semanais com gancho entre um capítulo e outro, como acontece com as séries americanas e como já se viu aqui com “A Teia”. É um formato distinto de “A Grande Família”, que cumpre agora seu 14º e último ano no ar, e de “Tapas & Beijos”.

“É a ideia do arco dramático que a gente vem desenvolvendo, séries curtas, de 10, 11 ou 12 capítulos, que sejam atrativas para o capítulo seguinte.” A capacidade de revezar títulos e abrigar novos roteiros também passa por uma programação que está menos engessada. “Pode ver que a grade está mais flexível.”

AUDIÊNCIA

Ciente de que a TV paga está crescendo e que a Globo tem reduzido sua fatia porcentual no bolo televisivo, Schroder, no comando da emissora há 1 ano e 4 meses, voltou a dizer que não quer estabelecer metas de audiência. “A consistência do produto é o ponto de partida, um programa tem que ser relevante, interessante.” Segundo esse raciocínio, a audiência é uma consequência, não uma meta. “É como você ser técnico de um time de futebol e dizer ao time que quer que ele ganhe de 4 a 2 do adversário: isso não fundiona. Se o time jogar bem, provavelmente será vencedor”. “Úm conteúdo forte garante a audiência”, acredita, sem descartar a competitividade de cada produto. Mas “o desejo de audiência não pode ser meta”

PESQUISAS

O diretor disse que a emissora faz pesquisas constantes para perceber a adequação da grade à demanda do público em cada horário. A inversão da “Sessão da Tarde” pelo “Vale a Pena ver de Novo”, emendou, é resultado de um trabalho de pesquisas. “Temos de ter a percepção do que o público quer”.

BEIJO GAY

Apesar de se calçar em estudos, Schroder garantiu que a emissora não fez pesquisas de comportamento para avalizar o primeiro beijo gay no horário nobre, fato ocorrido entre Mateus Solano e Tiago Fragoso no último folhetim das 9, “Amor à Vida”. “O Walcyr (Carrasco, autor) falou com o Manoel Martins (diretor de entretenimento) uns dois meses antes, contando que as pessoas já lhe cobravam por isso, havia uma torcida pelos dois.” Afirmou ainda que a emissora não impõe nada aos seus criadores. “Posso mostrar ao autor o que determinado estudo ou pesquisa aponta, mas seguir aquilo ou não é uma decisão dele.” Se há alguns anos a então diretoria da Globo vetou um beijo gay em “América”, o assunto não diz respeito à atual gestão. “Se formos falar nisso, vamos ficar aqui discutindo momentos da empresa”, justificou.

Segundo ele, 95% dos telespectadores que se manifestaram sobre o beijo por meio da Central de Atendimento ao Telespectador, após a consumação da cena, tiveram uma avaliação positiva do fato.

TV ABERTA AINDA MANDA

A despeito da força da TV fechada, que avança em ritmo acelerado, e da web, a TV aberta está longe de abandonar o posto de menina dos olhos do grupo. “A prioridade continua sendo TV aberta. A gente acredita muito no modelo do negócio. Uma novela que é vista no Brasil inteiro e será comentada por todo mundo no dia seguinte ainda tem muita relevância.”

Mesmo assim, endossa sua recente disposição em explorar a vocação da TV Globo como “produtora de conteúdo” para as outras plataformas do grupo, a saber, TV paga, web e cinema. “Queremos desenvolver produtos para outras plataformas, oxigenar nossos talentos, queremos testar novos autores e atores.”

50 ANOS

Com nova logomarca, criação do desgner Hans Donner, apresentada na festa do “Vem Aí” de ontem (a ser exibida hoje, após ‘Em Família’), a Globo dá início ao que será a comemoração de seus 50 anos, em 2015. Uma programação especial para o cinquentenário do canal começa a ser preparada desde já. “Quanto maior a antecedência, melhor.”

Sabe-se já que o ano será aberto com uma série de Euclydes Marinho, sobre separação de casais, intitulada “Felizes para Sempre”. A direção será do cineasta Fernando Meirelles.

VEM AÍ

Pergunto a Schroder se ele ficou satisfeito com o show que anuncia ao público a nova programação da emissora, gravado ontem. “Espero que eles salvem o programa na edição”, sorriu, mostrando alguma contrariedade com tantas falhas, a começar por problemas de áudio, mas também logo se justificando: “Sabe quando entregaram a casa (City Music Hall) pra gente? Segunda-feira. Era um show mais complexo que o do ano passado”, argumentou.

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