Cenário da Globo conspirou a favor do debate

Cristina Padiglione

28 de outubro de 2006 | 21h07

Depois do debate na TV Record, o terceiro entre os mesmos candidatos da vez à Presidência, temia-se um reforço do dèjá vu na tela da Globo: dizíamos, “ah, não, tudo de novo, as mesmas frases feitas, as mesmas insinuações, talvez outros números mas os mesmos milhões e trilhões…”

Não que Alckmin e Lula não tenham se repetido ontem, mas do debate da Bandeirantes (o primeiro) para cá, a Globo conseguiu arrancar dos dois, mais que SBT e Record, uma performance mais humana, menos robótica, mais interessante. Os púlpitos e mesas vistos nos outros canais impediam o olho no olho que a arena da Globo incentivou. Lula chegou a tocar no adversário, como quem conversa com o outro. Um pode fitar os olhos do outro enquanto índices eram livremente vomitados pelo adversário, enfim, tudo que não houve no engessamento dos demais canais.

A Band se propôs a dividir tela para que o público visse a reação de um enquanto o outro perguntava, mas o telespectador não via a cara de um enquanto o outro respondia. Salvo o tempo apertado para respostas, réplicas e tréplicas na Globo, o debate da emissora funcionou muito bem como programa de TV e como espetáculo, o que de certa forma conspirou a favor de uma performance melhor no discurso dos dois. Houve mais sangue nas veias dos concorrentes ali postados diante de um auditório de anônimos, eleitores indecisos selecionados pelo Ibope.

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