Caso guia sobe-desce do Ibope

Cristina Padiglione

15 de abril de 2008 | 18h00

O caso Isabella tem motivado nos executivos de televisão os sentimentos mais primitivos de competição.

Com links preparados na frente da casa dos pais ou do próprio casal Nardoni, os telejornais reservam espaço para entradas ao vivo, não importando se haverá ou não notícia relevante para tanto. O repórter é chamado pelo apresentador sob o pretexto de “mais informações sobre o caso”, nem que seja para contar que a família acaba de pedir uma pizza.

Apresentadores posam de juízes, defendem teses, saem do tom; cenas são repetidas à exaustão para suprir a falta de material inédito em largo espaço reservado ao caso. Tudo atende a um só mecanismo: o ibope minuto a minuto, que tem mostrado saltos expressivos nos números de quem persiste no assunto, em detrimento de quem muda de repertório. A troca de canal é imediata, o zapping é de impressionar.

Há tempos não se verificava tamanha sede em torno de assunto único. Convém apostar que a ressaca pelo espetáculo venha na mesma proporção _ mero cálculo de ação e reação.

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