Caso Dantas x PF:Equipe da Globo cavou as imagens que outros queriam de bandeja

Cristina Padiglione

14 de julho de 2008 | 17h51

Não tenho procuração para defender a Globo, mas, na esteira da choradeira que apontou suposto favorecimento da Polícia Federal aos jornalistas da emissora no episódio da prisão de Daniel Dantas, Naji Nahas e Celso Pitta, é preciso que se revele ao telespectador o que ele não vê na tela: há uma gigantesca diferença entre a estrutura que a TV dos Marinho coloca à disposição de uma grande cobertura e a infra apresentada por outras emissoras nessas mesmas ocasiões.

Produtor da Globo, Robson Cerântula já estava plantado na porta da PF às 3 horas da madrugada daquele dia. Não, ele não tem bola de cristal, longe disso. O sujeito só faz parte de uma turma bem paga para correr atrás de informações quentes. E é evidente que esse time traz resultados. Fosse tudo apenas fruto de imagem autorizada, como disse o ministro da Justiça, Tarso Genro, por que a Globo pagaria melhor aos profissionais que ali se estabelecem?

É óbvio que há profissionais excelentes nos outros canais, mas, ao contrário do que a concorrência grita, um César Tralli não faz verão. Não adianta gastar os tubos para contratar grifes de microfone e ignorar os Tim Lopes do backstage, gente que não bota a cara na tela, mas faz toda a diferença na hora de carregar o piano.

Como nem sempre estou de acordo com as argumentações do plim-plim, fico à vontade para dizer que o diretor-executivo do Jornalismo da Globo, Ali Kamel, tem razão nesse episódio. Ele refuta a acusação de que a Globo “obteve acesso” às cenas. Defende que o feito é furo de reportagem, conseguido “depois de meses de trabalho, e graças à credibilidade de que (a Globo) dispõe na sociedade e em múltiplas fontes de informação nas três esferas do Poder Público.” Sobre o pedido de desculpas de Tarso Genro às demais emissoras (por não terem sido “avisadas” da operação), Kamel entende que o ministro foi injusto com todos. “Com a TV Globo, por confundir um furo, conseguido graças a um minucioso trabalho de reportagem, com um aviso. Com as demais emissoras, por acreditar que elas só sejam capazes de dar furos se, antes, forem avisadas.”

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