Bussunda: dez anos de uma piada sem graça

Bussunda: dez anos de uma piada sem graça

Cristina Padiglione

17 de junho de 2016 | 14h41

COPA S10 SP 17-06-2006 VIDA& MORTE/BUSSUNDA Bussunda e Hélio de la Peña caracterizados de Ronaldo e Ronaldinho no programa Casseta e Planeta da Rede Globo (Globo na Copa) FOTO TV Globo/MARCIO DE SOUZA

FOTO TV Globo/MARCIO DE SOUZA

Foi bem num 17 de junho, em 2006, em Munique, que Ronaldo Fofômetro, Montanha, Jeca Camargo, Sérgio Chapeleta, Lula, Shrek e tantos outros personagens vestidos por Cláudio Besserman Viana, nome de batismo de Bussunda, viraram arquivo.
Um ataque do coração o levou, oito dias antes de seu aniversário de 44 anos e antes que os paramédicos pudessem reverter o quadro, no hotel onde estava, a serviço dos inesgotáveis deboches inspirados por uma Copa do Mundo na Alemanha (mal poderia imaginar, ainda bem, que oito anos depois estaríamos fadados ao constrangimento do 7 X 1 justamente diante da bandeira daquele país).

Como acontece numa receita culinária, em que um ingrediente a mais ou a menos pode fazer grande diferença no resultado final, a troca de um ator em uma peça de teatro, em um filme ou em uma novela, ou mesmo a substituição de um músico na banda, ou de um jogador no time, por menos relevante que seu papel possa parecer no jogo, é capaz de gerar efeitos monumentais no placar final, no resultado da cena ou no impacto do show.
A perda de Bussunda mexeu profundamente com os ânimos de todos os integrantes do Casseta & Planeta. Não apenas no sentido aqui citado, quando se menciona a química sob medida para o alcance do sucesso, mas também pelo baque causado em toda a equipe. Para quem vive de fazer os outros rirem, o desafio da superação é inestimável. Não há piada que resista à perda de um amigo engraçado por morte morrida e inesperada, em meio aos ânimos de uma Copa.

O apelido Bussunda seria a soma do sobrenome Besserman com Sujismundo, indo de Bessermundo a Bussunda, mas ele mesmo preferia dizer que a alcunha era a mistura das duas coisas de que mais gostava na vida – aquela que começa com ‘Bus’ e a que termina com ‘unda’.

Como disse Hélio de La Peña na época, Bussunda era o ponto de equilíbrio do grupo, o que ficou claro nas produções do Casseta & Planeta dali em diante. A saída de cena de Bussunda abalou a criatividade do grupo em um primeiro momento. Dois anos depois, o time formado também por Reinaldo, Cláudio Manoel, Hubert, Marcelo Madureira e Beto Silva até mostrou empenho e fôlego para se renovar e manter a piada em alta, mas a própria direção da Globo, à época, amarrada a uma série de receios da cartilha politicamente correta, foi sufocando cada vez mais a liberdade do grupo. Só mais recentemente, com a chegada do ‘Tá no Ar’, de Marcelo Adnet e Marcius Melhem, o humor da Globo voltou a respirar com sátiras a publicidade e personalidades da própria casa, como o próprio Casseta & Planeta fazia lá no início de seus programas e nos idos do ‘TV Pirata’, do qual eram redatores.
A figura de Bussunda, no entanto, capaz de provocar gargalhadas no telespectador diante de sua simples aparição em quadro, deixou um buraco na parede. Não encontrou eco em mais ninguém. No país da piada pronta, como diz José Simão, o Brasil ficou mais sem graça.

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