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Brinco de vilã vira comércio de camelô

Cristina Padiglione

03 Novembro 2006 | 20h21

Intransitável como toda temporada que antecede o Natal, o universo da 25 de Março consegue desfilar toda a civilidade que faltou aos saguões e salas de espera dos aeroportos brasileiros nos últimos dias. A multidão que se espreme é de uma tolerância a ser invejada pelos sem-avião.

E o camelô anuncia: “Olha o brinco da Marta, o brinco da Marta!”
Mas agora vendem brincos da Marta Suplicy?, penso eu.
Não, louca, era o brinco da Marta da novela.
“E vende?”, pergunto ao camelô, que nem me escuta, continua a gritar, enquanto sou levada pelo fluxo.
Eis aí. Quem disse que vilão não vende? “A Marta da novela” é a Lília Cabral de “Páginas da Vida”, o demônio em pessoa. Como todo vilão, alcança com imediatismo a sensibilidade da platéia.

Quem nunca reparou que a Malévola do clássico “A Bela Adormecida” foi consagrada pela Disney como uma figura esbelta, fashion, como se desfilasse para Fauze Haten? E as três fadinhas do bem, Tia Fauna, Tia Flora e Tia Primavera, tão feinhas, tão gordinhas, tão pequeninas… Uns amores. E incapazes de despertar a cobiça alheia.

O camelô sabe o que diz.