Brasileiro prefere CNN Internacional a CNN Español

Cristina Padiglione

10 de novembro de 2009 | 19h43

Perguntei ao staff de Ted Turner, afinal, por que a empresa havia tirado a CNN Español de cena das maiores operadoras de TV paga no Brasil, no caso, Net e Sky.

Do vice-presidente da Turner América Latina, Juan Carlos Urdaneta, passando pelo homem forte do comercial, Rafael Davini e pela Renatinha, mulher forte das pesquisas do grupo Turner no Brasil, a resposta foi uma só: o brasileiro não se vê como latino e não aceita um canal em espanhol.

Rebati: mas se a gente tem canal árabe, japonês, alemão, pra não enumerar os canais franceses e ingleses, oras bolas, por que dispensaríamos um canal que fala a língua dos vizinhos, com problemas vizinhos e que, como diria Lula, nunca antes na história desse país estiveram tão envolvidos com o Brasil?

Eles também não souberam explicar.

Em evento realizado em Nova York há duas semanas para bajular anunciantes, publicitários e jornalistas, a Turner rufou tambores sobre dois filhotes da CNN na AL: a CNN Chile, canal feito especificamente para aquele país, e o site CNN México.
Anos atrás, a CNN chegou a ensaiar um site para o Brasil. Miou.
Anos e anos atrás, circulou até a possibilidade de uma CNN Brasil, o que se tornou inviável após a chegada da GloboNews, por razões de demanda e custo. Conta simples: a Globo gasta, para fazer o seu canal de notícias, abastecido em boa parte pela produção do jornalismo da TV Globo, muito menos do que a CNN gastaria para montar toda uma estrutura aqui. No Chile, o terreno estava mais favorável, a plateia pediu, e o canal vingou. Aqui… nem em espanhol.

Todas as pesquisas indicavam, segundo os executivos da Turner, que o brasileiro preferia ver a CNN Internacional a ver a versão em espanhol.
Mas os executivos também reconhecem, vá lá, que o Space, canal que o grupo botou na vaga do CNN Español no line up da Sky, é bem mais fácil de comercializar do que uma emissora de notícias em espanhol. E assim ficamos.

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