Brasileirão, novela na boa: mais um capítulo

Cristina Padiglione

02 de março de 2011 | 15h48

E segue a novela sobre a disputa pelos direitos de transmissão do Brasileirão no triênio 2012 a 2015.
Para quem não acompanha o caso, um breve resumo:
1) Depois de o Cade determinar que a melhor proposta financeira deverá ser a vencedora, sem mais preferência da contratante atual na renovação, o Clube dos 13 sofreu um desmanche, com clubes como Corinthians, Vasco, Flamengo e Palmeiras defendendo que o ideal é a negociação clube a clube.
2) A Globo, diante da proposta do C13 para o valor mínimo de R$ 500 milhões só para TV aberta, tirou o time de campo e banca que não é possível fechar a conta, ou seja, a publicidade não cobre as despesas. A emissora tem conversado isoladamente com os clubes dissidentes do C13.
3) A Globo publicou hoje anúncio sobre sua posição nos principais jornais, o que segue abaixo. E a Record, há coisa de 10 minutos, também assina a distribuição de outro comunicado, defendendo que é possível, sim, fechar a conta e aumentar o valor repassado aos clubes.

A seguir, cenas dos próximos capítulos…

COMUNICADO GLOBO
Em respeito ao torcedor, tornamos pública nossa resposta ao Clube dos 13
A Rede Globo acompanhou com preocupação as conversas e as reuniões sobre os novelos modelos de negociação do Campeonato Brasileiro propostos pelo Clube dos Treze nos últimos meses. Por várias vezes alertou que o modelo em vigor era fruto de uma longa parceria pelo aprimoramento do futebol brasileiro, e que as mudanças seriam danosas, inclusive para os próprios clubes.
Nesses últimos anos os clubes brasileiros tiveram um crescimento de receitas muito acima do crescimento do PIB do país, não só através das receitas obtidas com a venda dos direitos de transmissão, mas também com a comercialização de outros ativos, incluindo propaganda nos uniformes e publicidade nos estádios, em virtude da exposição permanente na TV aberta.
No entanto, dia 23 de fevereiro a Globo recebeu a carta-convite, para participar da concorrência pelos direitos de exibição do Campeonato Brasileiro para o período 2012-2014, com condições eu não atendem aos nossos formatos de exposição de conteúdo em TV Aberta e da comercialização do seu patrocínio, baseados exclusivamente em audiência e na receita publicitária.
As exigências e modificações no conteúdo das diversas plataformas de mídias, contidas na carta-convite do Clube dos Treze, importam na desestruturação de um projeto complexo, que foi construído ao longo dos últimos 13 anos.
Não por outra razão, muitos dos principais clubes brasileiros já declararam publicamente que não serão representados pelo Clube dos Treze na negociação de seus direitos na referida competição.
Por tudo isso, a Rede Globo se sente impedida de participar da referida licitação, e manterá contato com os clubes para negociar a aquisição dos direitos. Assim, acreditamos que só será adequadamente observada a importância da TV Aberta, como meio de comunicação gratuito e de maior abrangência/audiência nacional, e privilegiada a parte mais importante do Projeto Futebol: o torcedor brasileiro.”
Rede Globo

COMUNICADO RECORD
A Rede Record vem a público expressar preocupação com as reações ao modelo de negociação proposto pelo Clube dos 13. O formato foi desenvolvido como consequência de um acordo entre o Clube dos 13 e o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Pelo que foi acertado, cláusulas que caracterizavam o favorecimento a um monopólio e impediam a participação de outros concorrentes de forma democrática e transparente foram proibidas.

O modelo anterior impôs aos clubes brasileiros o endividamento e a perda sucessiva de seus maiores talentos para outros países. Alguns clubes brasileiros passam meses sem parceiros patrocinadores porque camisas, luvas, bonés e até placas publicitárias são evitadas ou encobertas nas transmissões esportivas. Ainda existem alguns clubes brasileiros que simplesmente são ignorados durante a temporada e passam semanas sem que seus jogos sejam transmitidos.

A carta convite enviada pelo Clube dos 13 contempla uma concorrência transparente, séria, com regras claras. O documento exige propostas entregues em envelopes fechados e pressupõe declarar vencedor aquele que fizer a melhor proposta financeira para todos os clubes. O modelo é semelhante ao estabelecido pelo Comitê Olímpico Internacional para a disputa de direitos dos Jogos Olímpicos. A Record detém os direitos de transmissão exclusivos dos Jogos Olímpicos de 2012, em Londres. Fez a melhor proposta e venceu. O mercado publicitário brasileiro – de forma ousada – correspondeu ao investimento da Rede Record e cobriu todos os custos de direitos e transmissão, além de gerar lucros. Parte do pacote olímpico já foi visto no Brasil com a premiada e pioneira cobertura esportiva dos Jogos de Inverno de 2010, de Vancouver, no Canadá. Prova inequívoca de que a Record quer inovar no esporte, tem apoio do mercado publicitário e retorno expressivo em audiência.
Este ano, em outubro, faremos o mesmo com os Jogos Panamericanos de Guadalajara.

A proposta do Clube dos 13 rompe com as obscuras negociações que favoreciam o monopólio e descaracterizavam a concorrência, impondo aos clubes valores e limitações exigidas pelos eternos favorecidos.

A Record reafirma o desejo de participar da concorrência do Clube dos 13, se os associados estiverem em acordo e unidos em busca de propostas que ofereçam alternativas para o torcedor brasileiro, melhorem arrecadações e ampliem a possibilidade de surgimento de novos patrocinadores.

Mas se os clubes desejarem uma negociação em separado, optando por outro modelo, a Record também pretende apresentar proposta, desde que as negociações sejam feitas seguindo padrões de transparência e regras claras. Ou seja, com a garantia de que a melhor proposta para a televisão aberta terá preferência.

Esta é a forma que a Record encontra para contribuir com a evolução e o desenvolvimento do futebol brasileiro, proporcionando ao torcedor acesso livre e gratuito ao esporte preferido da nação.

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