Brasil na avenida é novelão

Brasil na avenida é novelão

Cristina Padiglione

27 de março de 2012 | 10h47

 

Nunca se viu novela das 9 da Globo com a pretensão de exibir tanta gente como a gente.

A ostentação perde espaço para a manicure, o jogador de futebol, a golpista, o tiozinho do Fusca, a perifa.

A Globo está aprendendo que a tal nova classe C quer subir de vida no próprio território. Não quer morar no Morumbi ou na Barra, quer um espaço melhor no bairro que a fez crescer. Não quer as escolas nem o clube dos ricos não emergentes, quer ficar à vontade e progredir onde se sente bem. Isso tudo está em Avenida Brasil, que estreou ontem

Texto ótimo de João Emanuel Carneiro, atuações precisas de Tony Ramos, Adriana Esteves, Ailton Graça e Murilo Benício. Também já sei que vou amar Marcos Caruso no papel de pai do craque e que muito torceremos, em vão, pela cabeleireira de Heloísa Perissé, que será passada para trás pela megera Carminha de Adriana, e que medo da Adriana!

Como disse no Twitter, Carminha é filha de Sandrinha, aquela que explodia o shopping em Torre de Babel, vestida pela mesma Adriana.

A audiência da estreia foi de 37 pontos de média na Grande São Paulo, onde um pont equivale a 60 mil domicílios. Mas há bons motivos para ver esse patamar se multiplicar. Fina Estampa fechou com excepcionais (em comparação com as últimas seis novelas do horário) 47 pontos e estrou com 41.

O thriller é contagiante, a não ser por um aspecto que não chega a ser qualquer detalhe: a abertura é ruim de dar vergonha alheia. Música ruim, imagens ruins, edição medíocre. Uma pena ver produto tão bom em embalagem tão desprezível.

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