Autocrítica faria bem a Gugu

Cristina Padiglione

02 Janeiro 2007 | 20h54

Gugu Liberato comemorou seus 25 anos de SBT com depoimentos e imagens de sua trajetória na casa.
A falsa entrevista com membros do PCC, é claro, não mereceu menção alguma. A estratégia, no caso, parece óbvia: quanto menos se toca no assunto, maior a chance de as pessoas esquecerem.

Mas em episódios de altíssima repercussão, a autocrítica ainda é o melhor remédio para aplacar (nunca zerar) os efeitos maléficos que ficam para a história.

Tome-se como exemplo os casos mencionados aí no último post sobre os tropeços da Globo nas coberturas eleitorais. Ao produzir cinco episódios em tributo ao cinqüentenário da TV brasileira, em 2000, a Globo teve a boa sacada de abordar, na própria tela, o famoso caso da edição do “Jornal Nacional” para o segundo e derradeiro debate entre Collor e Lula antes do segundo turno das eleições de 1989. Conseguiu de petistas uma espécie de absolvição pública, atestando que não foi por causa daquela edição que Lula perdeu a eleição. Nem por isso a emissora negava o desequilíbrio na tal edição.
E no ano retrasado, ao lançar um livro para os 25 anos do “Jornal Nacional”, a Globo põe em discussão, com os depoimentos dos profissionais envolvidos, os casos do Proconsult (eleição de Brizola em 1982), o do comício das Diretas Já (1985), e a fatídica edição Collor X Lula para o “JN”.
Não que Globo queira, com isso, dizer: “desculpe a nossa falha”, longe disso. Nos três casos, há uma tentativa de eximir o poder institucional de qualquer culpa nas distorções ocorridas. Mas, ao exibir coragem para lavar roupa suja em público, a empresa mostra disposição em acertar. É um tratamento de imagem muito mais eficiente do que permitir que explorem o caso sem a versão do principal envolvido. E, de quebra, é a chance de documentar a história segundo seus próprios critérios.

Gugu bem poderia pensar no caso. Desde o episódio PCC mandrake ele não se permite tocar no assunto.