Anfitriã de evento do Emmy no Rio, Globo ‘fala’ em inglês

Anfitriã de evento do Emmy no Rio, Globo ‘fala’ em inglês

Cristina Padiglione

25 de junho de 2015 | 11h47

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Marcelo Adnet divertiu a plateia de executivos de TV do mundo todo convidados para o Academy International Day, evento anual que a cada ano ocorre em um lugar do planeta e que dessa vez está sendo sediado pela Globo, no Projac, em razão dos 50 anos da emissora.

O humorista participou de vários momentos do espetáculo montado para apresentar e enaltecer a história da televisão fundada por Roberto Marinho, e surpreendeu, efetivamente, quando encenou um esquete em que revezava inglês, espanhol, italiano, chinês – “não, eu não falo chinês”, brincou. A performance serviu para informar sobre a presença da Globo em mais de 150 países, em razão da exportação de suas novelas.

Tudo isso em inglês. Embora o evento tenha sido sediado por um país de língua portuguesa, a assinatura da Academy of Arts And Television como criadora do Academy International Day falou mais alto, e todos se renderam ao idioma original da instituição responsável pela premiação do Emmy. Até a pequena Mel Maia, atriz que fez a Rita/Nina no início de ‘Avenida Brasil’, decorou seu texto todo em inglês. “Every day is the future”, disse ela.

A cerimônia da abertura contou com breve apresentação do CEO da emissora, Carlos Henrique Schroder, seguida de uma apresentação com coreografias e participação de atores, com Pedro Bial como mestre de cerimônias. Ana Furtado se juntou a ele na segunda metade da apresentação.

Além de Adnet, foram chamados ao palco os atores Lima Duarte e Fernanda Montenegro, que foram autorizados a falar em português. Ironicamente, a atriz lembrou como foi difícil conseguir aval da Justiça para que um simples beijo fosse ao ar numa novela, ainda naqueles anos 50, início da TV no Brasil. Bem ela, que agora passa pela autocensura da Globo, incentivada por movimentos da audiência contrária aos beijos entre sua personagem e a de Nathalia Timberg na novela ‘Babilônia’. Fernanda e Lima Duarte encenaram então um beijo, de boca bem fechada, como determinavam os hábitos da época, ainda na era pre-TV Globo.

Até porque todo o relato dessa apresentação inicial partiu de 1950, quando a TV cá chegou, pelas mãos de Assis Chateaubriand, sob o testemunho de Lima Duarte. “Eu estava lá”, confirmou aos presentes.

Também homenageado, Milton Gonçalves, funcionário da Globo desde sua inauguração, em 1965, falou em português e cometeu um ato falho, ao falar sobre a “revolução”, que tinha acabado de acontecer no Brasil. Referia-se ao golpe de 1964, tratado pelos militares como “revolução”.