Ana Raio, mesmo desmantelada, rende 9% no Ibope

Ana Raio, mesmo desmantelada, rende 9% no Ibope

Cristina Padiglione

22 Julho 2010 | 16h07

Depois de alcançar sucesso estrondoso (para os parâmetros atuais de Ibope da emissora) com “Pantanal”, o SBT investiu na produção herdeira daquela: foi bem no rastro da receita de “Pantanal”, afinal, com temática rural (pra não dizer ‘country’) que a Manchete realizou, com o mesmo Jayme Monjardim e atores da novela anterior (Ingra Liberato e Almir Satter), a tal “A História de Ana Raio e Zé Trovão”.

anaraio

Na época, a Manchete bem que conseguiu manter parte da audiência de “Pantanal” sintonizada. O autor do folhetim matriz, no caso, Benedito Ruy Barbosa, já tinha então sido cooptado a voltar para a Globo, e Rita Buzar e Marcos Caruso, no roteiro de “Ana Raio”, fizeram um bom trabalho.

Mas, se o enredo já não tinha a mesma força da saga de Juma Marruá, a proposta avançava na ousadia de fugir do estúdio. “Ana Raio” tinha cenário itinerante, com locações a rodar o país. Daquela época, tive a oportunidade de conhecer a fantástica Treze Tílias (SC), um lugar mágico, onde acompanhei as gravações by Monjardim.

O caso é que a “Ana Raio” agora revista pelo SBT está toda desmantelada. Há sequências inteiras decepadas, cortes horríveis entre uma cena e outra, fruto do descaso que contaminou o grande acervo dos Bloch durante o processo de falência do grupo. Uma pena.
Nisso tudo, o mais incrível é entender como é que aquele resultado do que restou ao SBT, quase constrangedor para quem vê e para a própria equipe que fez a novela, consegue abocanhar 9% de média (dados de São Paulo) pelo SBT, com 12 (!) de pico. Na Manchete, a novela rendia seus 13 de média, mas ocupava o horário herdado de “Pantanal” (que chegou a bater em quase 40% de audiência em seus dias finais), um feito digno de ser chamado como “fenômeno” e numa época em que cada ponto de audiência valia 40 mil domicílios, não 56 mil, como agora. Mais: o bolo da audiência era bem menos pulverizado e o boon dos televisores com controle remoto ainda não havia acontecido, o que levava a uma certa apatia do telespectador em trocar de canal.

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