A TV sob (des)controle

Cristina Padiglione

10 de setembro de 2006 | 01h24

Pra quem gosta de filtrar o que o tubo nos manda, “A TV Sob Controle” (Summus Editorial), novo livro do professor uspirano Laurindo Lalo Leal Filho, vale a proposta.

Foi Lalo quem revelou ao País, no fim do ano passado, a porção Homer Simpson que involuntariamente paira em cada um de nós ao assistir o “Jornal Nacional”. Após participar de uma reunião de pauta do “JN” ao lado de mais oito professores convidados pela Globo, Lalo contou, por meio da revista “Carta Capital”, que o editor e âncora do noticiário, William Bonner, costumava se referir ao seu telespectador como Homer Simpson.
O artigo, “De Bonner para Homer”, foi amplamente repercutido e Bonner explicou que ele próprio se identificava com o simpático, mas obtuso (para endossar as palavras de Lalo) patriarca da família norte-americana. O propósito do apelido, segundo Bonner, seria o de alcançar platéia tão heterogênea como aquela a que o noticiário de maior alcance do País se dirige. Para defender-se do argumento de que Homer é título no mínimo ofensivo, Bonner rebateu que também busca no Lineu da “Grande Família” um parâmetro capaz de balizar o conceito do “JN”.

Bem, de “Bonner para Homer” consta do novo livro do professor. Aliás, encerra-o. Mas há outros tantos textos dispostos a pensar a televisão como ela merece ser pensada num país onde dispõe de tanto poder. Quem a menospreza pela manipulação que ela opera é justamente o sujeito que mais contribui para que tudo continue como está.
Diz Lalo no seu prefácio atual que a TV nunca foi alvo de tantos olhares contestadores como ocorre da virada do século para cá. A receita é bem essa.

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