‘A Regra do Jogo’: Romero Rômulo é o novo ‘herói’ nacional

‘A Regra do Jogo’: Romero Rômulo é o novo ‘herói’ nacional

Cristina Padiglione

01 Setembro 2015 | 03h24

nero1

Não é que o público terá a oportunidade de ir descobrindo, aos poucos, quem é o verdadeiro Romero Rômulo, bandido que se faz passar por herói na nova novela das 9 da Globo, A Regra do Jogo. Longe disso.

A plateia já fica a par, ao final do primeiro capítulo, que o suposto mocinho não vale nada.

A regra do jogo é não guardar cartuchos na gaveta. É queimá-los à vontade, sem medo da habitual enrolação que há de esperar pela telenovela no seu amanhã.

Cada capítulo, um enredo.

E não é que ele vacile um pouco, como nos fizeram crer, até aqui, as poucas pistas dadas pelo autor João Emanuel Carneiro sobre as trilhas do jogo que começou nesta segunda-feira. Ele vacila muito.

No primeiro episódio, inaugurado com título (“A Outra Face”), ao modo das séries americanas, o sujeito posou de mártir ao se oferecer para mediar um assalto com reféns. Em poucos minutos, saberíamos que ele era cúmplice dos ladrões e que seu modesto apartamento é, na verdade, uma residência de fachada. Romero se esparrama na cobertura do mesmo prédio, ao som de um belo blues, enquanto se despe para caber num roupão de gente fina, elegante e nada sincera.

Estamos diante não do anti-herói, mas do monstro do enredo.

Toia, a boa moça de Vanessa Giácomo, tem 30 mil surrupiados por um falsário que finge ser médico, em troca de uma operação para a mãe dela, Djanira (Cássia Kis). Furta então o cofre da boate onde trabalha para depois confessar o ato a dona Adisabeba (Susana Vieira).

Antes disso tudo, o capítulo amoleceu a ansiedade do público pela estreia com um clipão do nosso querido Mc Merlô (Juliano Cazarré), que vai ali, dar “uma volta na nave” “pra gente fazer bobagem”.

O público leigo pode não ter noção do que representa a tal caixa cênica criada pela diretora Amora Mautner, mas, certamente, percebeu takes e ângulos que se diferenciam do padrão Globo da vez. Em externas, vimos alguma coisa girando em 360 graus.

Com final que deixa aperitivo para o day after, Romero recebe a visita de Dênis, o sujeito que ajudou a tirar da cadeia, com discurso piedoso, fazia poucos dias. Vem das mãos do “ex-bandido” um envelopão de notas para abastecer os cofres do falso Romero.

Numa história em que nada é o que parece ser, oxalá sejamos surpreendidos com a frequência que fomos assaltados, no melhor sentido, no primeiro episódio.

Atena, a estelionatária impiedosa de Giovanna Antonelli, encontrará Romero em poucos capítulos, prometendo formar uma daquelas duplas pela qual a audiência torce fervorosamente, de modo inconfesso. E temos aí uma plateia passional em potencial, pronta para se deixar entreter pela nova novela das 9.