A hipocrisia da pegadinha

Cristina Padiglione

02 de julho de 2008 | 17h24

Hipocrisia foi palavra do Vesgo, vou logo dizendo, mas digo também já, o que é um antimarketing para o “Pânico”, que ele tem razão.

Em breve conversa entre o dito repórter do “Pânico”, o âncora Emílio Surita, eu e Keila Jimenez, também jornalista deste Estado, travamos um bom debate. A questão: o que leva artistas, jornalistas e afins (“afins” é tudo, não?) a tomar ou não as dores das vítimas do “Pânico”?

O pomo da discórdia foi a mágoa proferida por Wagner Moura, em carta ao jornal “O Globo”, depois que um integrante da trupe melecou seus cabelos com uma gosma de gel. Uma série de pessoas, eu e Keila inclusas, tomamos as dores de Moura e batemos bumbo contra brincadeirinha de mau gosto.
Pois o Vesgo, e nem foi ele o algoz do Capitão Nascimento, perguntou-nos: por que ninguém protestou quando ele, Vesgo, abriu um extintor de incêndio na cabeça da Sula Miranda? “Isso é hipocrisia”, argumentou ele.
Silêncio.
Não é que o Vesgo tem razão? Por que faríamos distinção entre a Sula e o Wagner? Brincadeira de mau gosto é para todos. A classe (e nós, imprensa, fazemos eco nem sempre com senso crítico), em geral só se solidariza com quem está bem na fita.

“O objetivo dessas brincadeiras é tirar a máscara dos artistas, só isso”, argumenta Vesgo.
“E, como já aconteceu tantas vezes com outras pessoas que se viram em situação constrangedora com alguma brincadeira nossa, era só ligar e pedir que (a cena) não fosse ao ar”, completou Surita. “Mas ele preferiu escrever uma carta ao jornal, era um direito dele, tudo bem.”

Os meninos do “Pânico” adoram aquele discurso Antonio Maria (… ninguém me ama, Ninguém me quer…) Acham que só são bem tratados pelos stars da Globo, quando são, porque essa turma teme as chacotas da trupe.
Vesgo acrescenta outra referência para a defesa do humorístico: quando é pegadinha da Angélica ou de algum programa da própria emissora, o cara termina com sorrisinho e ainda manda beijo para a Angélica, isso é hipocrisia”, repete.

Tem razão, o Vesgo.

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