A catarse de Alex

Cristina Padiglione

22 de dezembro de 2006 | 02h44

Está prevista para começar amanhã, e terminar na segunda-feira, a seqüência em que Alex agride a mulher, Marta, na novela das 9 da Globo. Antes que os corretos da boa política de vizinhança baixem aqui para dizer que é um absurdo a propagação da violência contra a mulher na vitrine de maior alcance do País, defendamos (e não é sempre) Manoel Carlos. Convém ter em conta que:
1) Alex, personagem de Marcos Caruso, age em proteção aos netos, negociados a cifras pela mulher dele, portanto avó das crianças. É Marta, Lília Cabral, bem dito está, a vilã podrona da história, quem será surrada. É a Laura Prudente da Costa (Cláudia Abreu em “Celebridade”) ou a Nazaré Tedesco (Renata Sorrah em “Senhora do Destino”) da vez. A diferença é que quem bate agora é homem, ao contrário das surras anteriores no horário.
2) Alex já teve vontade de bater na mulher e não o fez, o que bem foi evidenciado em cena.
3) Alex se livra da convergência equivocada de funções: ser do bem não significa ser banana. Na cena em que ele parte pra cima dela e a faz engolir o cheque assinado pelo genro, ele se esquiva dessa triste confusão provocada pela novela.

E, por último, quem haveria de arriscar que Marta não merece?

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