67º Emmy pagou dívida a Jon Hamm. Adeus, Don Draper

67º Emmy pagou dívida a Jon Hamm. Adeus, Don Draper

Cristina Padiglione

21 de setembro de 2015 | 05h23

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Cena do encerramento de Mad Men, quando um retiro hippie de Draper inspira um futuro comercial da Coca-Cola, foi referência para paródia de um dos vários filiminhos produzidos sob encomenda da cerimônia de entrega do 67º Emmy Awards.

O 67º Emmy Awards se derreteu por ‘Veep’, ‘Game of Thrones’, com quatro estatuetas cada um, e a minissérie/telefilme ‘Olive Kitteridge’, que faturou 3.

Ou seja, os três títulos mais premiados da noite são da HBO, um feito para um universo com pluralidade de produção maior que o Brasil.

Um dos troféus mais aplaudidos da noite também tem um dedo da HBO no Brasil: Jon Hamm, indicado ao Emmy de melhor ator de série de Drama há oito anos, desde o início de Mad Men, finalmente levou sua estatueta. Modesto, o ator disse que deveria haver algum erro na sua premiação, dado o nível de seus concorrentes – Kevin Spacey, por Frank Underwood (House of Cards) incluso. Embora seja da AMC, no Brasil, a série sobre a agência Sterling & Cooper fica na HBO.

O prêmio para Don Draper foi um modo de homenagear a grande trajetória da belíssima série protagonizada por Jon. Quando se viu que a direção de drama foi para Game of Thrones, era de se esperar que a própria GoT fosse vencedora como série. E assim foi.

Mais aplaudido que Jon Hamm foi a turma de Jon Stewart, por sua trajetória e despedida no The Daily Show. Levou direção, roteiro e programa de variedades/talk show e, em todas as menções, fez a plateia de todo o teatro levantar. Ao subir no palco para pegar sua estatueta, Stewart agradeceu muito e disse: “Vocês não vão ter mais que me ver”.

Veep, que está na sua 4ª temporada e há quatro anos contempla Julia Louis-Dreyfus como melhor atriz de comédia, fez estrago na expectativa das demais concorrentes e finalmente tirou de Modern Family o troféu que há anos era faturado pela série. Veep abocanhou ainda outro Emmu a Tony Hale, que já tem um prêmio pelo papel de fiel escudeiro da presidente Selina, como ator coadjuvante de comédia. E rendeu ainda melhor roteiro.

George R.R.Martin foi nominalmente citado pelo apresentador, merecedor de longo close e novamente mencionado por Peter Dinklage em seu discurso, já como premiado por ator coadjuvante. Game of Thrones detinha o maior número de indicações da noite (11) e, afinal, levou algumas das principais, incluindo direção e  série de drama.

Viola Davis, vencedora como atriz principal de drama por How to Get Away with Murder, foi a primeira mulher negra a ganhar um Emmy de atriz principal e fez o discurso mais contundente da noite. “A única coisa que separa mulheres de cor de qualquer outra pessoa é oportunidade. Você não pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem.” Emocionou o público e se emocionou.

Assistir a uma cerimônia do Emmy Awards in loco significa a certeza de que a nossa televisão está a anos luz da organização dos americanos para um evento desse porte. Durante os vários intervalos feitos para acomodar tantos comerciais de anunciantes interessados no evento, a gigantesca plateia se move à vontade. Sai, vai ao banheiro, vai comprar champagne e hot dog no saguão e até para procurar celebridades em busca de uma selfie. Se o programa voltar do intervalo e o sujeito não estiver no teatro, fecham-se as portas, até o intervalo seguinte. Magistralmente, as câmeras, e perdi a conta de quantas são, não deixam escapar na tela os lugares eventualmente vazios pela gente que sai de seus lugares.

E tudo funciona. Não há buracos de cena, microfones que falham, nada fora do lugar. Uma bela orquestra encontra seu lugar no alto do cenário e é descoberta pela fachada prateada da boca de cena para se revelar vigorosa durante todo o espetáculo. Nos intervalos, ela se descortina de modo generoso, impedindo que a adrenalina da plateia desmorone.

Os modelões do black tie permitem extremos: dos mais belos aos mais execráveis. Afinal, pior do que estar mal vestido é estar mal vestido com pretensão oposta, fazendo da excentricidade um grande equívoco. De modo geral, não há como não se divertir.

A viagem que me permitiu testemunhar in loco o 67º Emmy, em Los Angeles, de onde escrevo agora, foi feita a convite da Turner, programadora responsável pelo Warner Channel, que transmitiu a cerimônia no Brasil. Nos Estados Unidos, a transmissão é da FOX.

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