Chefão da Globo derruba novas paredes: TV aberta se aproxima da fechada, do cinema e da web

Chefão da Globo derruba novas paredes: TV aberta se aproxima da fechada, do cinema e da web

Cristina Padiglione

28 de agosto de 2013 | 23h53

Diretor-geral da Globo desde janeiro, Carlos Hnerique Schroder anunciou hoje mais uma série de reformas na estrutura organizacional (com perdão do palavrão) na TV Globo.

O que trará efeitos ao telespectador é basicamente o seguinte: a TV Globo não se apresenta mais para as Organizações Globo como uma empresa à parte dos braços de internet, cinema e TV paga. Se até o ano passado Globosat e Globo pareciam empresas distintas, pode-se dizer que a disposição em beber na fonte dos canais pagos do grupo e também de abastecê-los, promovendo parcerias internas ou externas (como a coprodução com produtoras independentes) nunca foi tão grande.

Um exemplo prático da ordem de derrubar paredes no grupo foi visto com a produção de episódios inéditos do Sai de Baixo, com elenco da Globo em ação na tela da Globo (digo: quase todos estavam dando expediente em novelas, e não em casa, sem fazer nada) e foram autorizados a trabalhar para outro canal, no caso, o Viva. É um canal do grupo e isso deveria ser natural? Mas antes não era bem assim. Havia enorme dificuldade em negociar a cessão de atores ou apresentadores de um lado para o outro. A exceção, claro, sempre foram GloboNews e Sportv, feitos dentro do jornalismo da Globo.

Globo Filmes será submetida a uma sinergia com a área de Entretenimento da TV Globo, Manoel Martins, multiplicando as chances de programas virarem filmes e novos talentos estarão transitando (ou já estão) de um lado para o outro. Três atores que estiveram em Beleza S/A, por exemplo, série da O2 Filmes para o GNT, já estão em ação em produções da Globo aberta, e a série nem saiu doi ar.

É só um exemplo do que virá.

Em suma, ao perceber que as telas estão compartilhando a atenção do telespectador, a Globo resolveu tirar o melhor proveito de uma audiência que é cada vez menos fiel à TV linear, mas pode ficar dentro do seu próprio quintal.

Na fusão de departamentos, saem fortaleceidos os diretores Willy Haas, Manoel Martins e Amauri Soares.
A seguir, a íntegra do comunicado:

Globo muda estrutura e aposta em novos sucessos

O diretor-geral da Globo, Carlos Henrique Schroder, que assumiu o cargo em janeiro, apresentou a nova estrutura organizacional da empresa e as diretrizes estratégicas de conteúdo, negócios e gestão. “Vivemos numa época em que tudo muda com uma velocidade cada vez maior. E toda organização que pretende sobreviver e progredir num ambiente assim precisa fazer uma profunda avaliação do modo como está operando e ter a coragem e a grandeza de se renovar”, explicou, em reunião com o grupo executivo da emissora.

Uma das novidades é a decisão da Globo de investir ainda mais fortemente na produção de  conteúdo, no Jornalismo e no Entretenimento, não apenas para a televisão aberta, mas também para outras plataformas, como a TV fechada e as mídias digitais. Uma forma de atender o público, estimular o desenvolvimento de novos talentos e parcerias e de apostar na criação de programas de sucesso.

O documento que apresenta a nova estrutura define objetivos e principais desafios da gestão. Entre eles,  eficiência,  criatividade e  inovação e valorização dos profissionais. O diretor-geral destacou o compromisso da emissora com as pessoas, com a gestão ágil e eficaz, com a parceria com clientes e afiliados e com a busca permanente da qualidade e da preferência do público.

A nova estrutura está fundamentada em três pilares: Conteúdo, Negócios e Gestão. E, segundo Schroder, torna a empresa “mais integrada, mais dinâmica, mais preparada para enfrentar as grandes transformações do nosso tempo, da sociedade, da tecnologia, dos consumidores”.

A direção geral de Negócios, comandada por Willy Haas, que acumula a responsabilidade de ser o segundo na hierarquia e substituto do diretor-geral nas suas eventuais ausências, vai agrupar agora todas as áreas responsáveis pela geração de receitas numa gestão única e passar a liderar também as emissoras regionais de Brasília, Belo Horizonte e Recife, a área de Negócios Internacionais e a de Relacionamento com as Afiliadas.

A direção geral de Planejamento e Gestão, sob a responsabilidade de Rossana Fontenelle, abriga as diretorias de Capital Humano, com destaque para a gestão estratégica das pessoas e da cultura organizacional, Financeira, de Patrimônio e Serviços e de Tecnologia, criada a partir da fusão das áreas de Engenharia e TI – e tem ainda o apoio das diretorias de Planejamento Estratégico e de Mídias Digitais.

Na área de Conteúdo estão Entretenimento, Jornalismo e Esporte, Programação e Controle de Qualidade e Comunicação.

A direção de Jornalismo e Esporte, sob a responsabilidade de Ali Kamel, mantém o papel de acompanhar a sociedade de perto, produzindo conteúdos para a Globo, Sportv, GloboNews e internet.

Sob a direção de Manoel Martins, o Entretenimento abre novas oportunidades de desenvolvimento de talentos internos e de parcerias externas ao ampliar a produção de conteúdo para a TV fechada (Globosat) e para a internet e aumentar a sinergia com o cinema, com a incorporação da Globo Filmes.

Para assegurar que os princípios e valores da Globo estejam presentes de forma permanente em toda a grade de programação e em consonância com os aspectos regulatórios, foram integradas as diretorias de Programação e de Análise e Controle de Qualidade na direção de Programação e Controle de Qualidade, liderada por Amauri Soares.

A Comunicação, sob a direção de Sergio Valente, encarregada de promover os produtos da emissora e de cuidar da valorização da marca Globo, passa a responder também pelas ações da Globo Rio e da Globo São Paulo.

“A competência de cada um de nós e o trabalho consistente feito até aqui colocaram a nossa empresa na posição de liderança que nos encontramos.  Mas os desafios se alteram com o tempo e é preciso nos adaptar ao que eles apontam, para podermos continuar sendo competitivos e avançar continuamente. Porque foi assim que sempre caminhamos, ao longo de quase cinquenta anos de história. A manutenção do nosso sucesso exige um constante repensar. E fizemos isso”, disse Schroder. A direção geral conta ainda com a assessoria das diretorias de Pesquisa e de Direitos Esportivos.

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