Yes racha, 'lança' novo CD e vem ao Brasil

Estadão

11 de novembro de 2010 | 08h22

Marcelo Moreira

A briga entre os integrantes da formação clássica da banda inglesa Yes foi realmente feia. Enquanto a formação atual continua a longa e inexpressiva turnê de aniversário dos 40 anos de criação do grupo, iniciada em 2008 – turnê que passa por São Paulo no próximo dia 28 de novembro, no HSBC Music -, o cantor Jon Anderson e o tecladista Rick Wakeman, que nunca foram amigos próximos, acabam de lançar um álbum juntos e planejam uma turnê europeia para breve.

A formação da banda que está excursionando  e que vem ao Brasil tem Chris Squire (baixo), Steve Howe (guitarra), Alan White (bateria), Benoît David (vocal, no lugar de Jon Anderson) e Oliver Wakeman (teclados, filho de Rick Wakeman). Será a quinta passagem da banda inglesa de rock progressivo no Brasil.

A briga enre os integrantes da formação clássica começou em 2008. Squire, Anderson, Rick Wakeman, White e Howe volraeam a se apresentar juntos com regularidade a partir de 1996, sendo que eventualmente um ou outro deixava de participar de alguma turnê por motivos variados – o último álbum de estúdio com músicas inéditas foi “Magnificent”, de 2001.

Os cinco prepararam a turnê de comemoração dos 40 anos de fundação por meses a fio, mas um mês antes da excursão mundial Jon Anderson ficou doente, com graves problemas respiratórios. Inicialmente, a banda cancelaria  a turnê, mas surpreendentemente houve apenas o cancelamento de algumas datas em junho, adiando o início dos shows.

Em setembro, a surpresa: o Yes anuncia que a turnê ocorreria normalmente com o canadense Benoit David, cantor de uma banda cover do próprio Yes daquele país, no lugar de Anderson. O mal-estar foi enorme. Anderson se pronunciou imediatamente e manifestou sua indignação com sua “expulsão”, alegando que não tinha sido informado de nada.

A banda, por sua vez, ficou em silêncio, o que irritou profundamente Wakeman. O tecladista diminuiu bastante seus shows a partir de 2005 por ordens médicas e tinha programado participar da turnê do Yes acompanhado do filho mais velho, Oliver Wakeman, para o caso de emergência. Alegando questões de saúde, Rick Wakeman abandonou o projeto, mas convenceu o filho a substituí-lo.

Com mais uma briga no currículo, a banda manteve a agenda e está há dois anos em turnê. Restou então a Anderson e Wakeman um período de quase um ao de repouso. No final do ano passado os dois voltaram a se falar e começaram a ensaiar sem compromisso na casa do tecladista.

Os encontros informais no estudio caseiro de Wakeman se tansformaram em “The Living Tree”, álbum creditado a Jon Anderson & Rick Wakeman, que será lançado no final de novembro. O álbum contém versões retrabalhadas de classicos do Yes e musicas novas e foram gravadas muito rapidamente entre agosto e outubro.

Capa de "The Living Tree"

O álbum é um  legítimo produto do Yes. Estão lá as longas suítes, a voz angelical e agida de Anderson, as passagens orquestrais grandiosas e os teclados bombásticos de Wakeman. Para quem é fã do Yes, “The Living Tree” é obrigatório.

Filme repetido

Não é a primeira vez que duas bandas “Yes” aparecem no mercado. Em 1989, Jon Anderson, Rick Wakeman, Steve Howe e Bill Bruford (baterista original que saiu em 1972) criaram a banda Anderson, Bruford, Wakeman and Howe. Um ano antes Anderson tinha saído pela segunda vez do Yes, após a turnê do disco “Big Generator”.

A banda então contava com o vocalista, Chris Squire, o tecladista Tony Kaye (da formação original, que saiu em 1971 e voltou em 1983 para sair novamente em 1996), o guitarrista Trevor Rabin e Alan White. Como Anderson se desentendeu com todos por causa do direcionamento mais comercial, decidiu retomar a carreira solo.

No começo de 1989, no entanto, foi procurado pelo empresário de Wakeman para um novo projeto. Os dois músicos tiveram a ideia de contactar dois outros ex-membros do Yes, Howe e Bruford, que aceitaram participar. O grupo iria se chamar Yes, mas Squire não permitiu por dois motivos: o primeiro, e óbvio, é que existia um Yes ainda na ativa. O segundo é que a marca pertencia somente ao baixista.

Anderson, Bruford, Wakeman and Howe lançou em 1989 um álbum homônimo, que fez bastante sucesso e que resgatava a sonoridade do Yes dos anos 70. Durante a turnê, os quatro reforçavam ao microfone que eram o “verdadeiro” Yes.

Enquanto isso, o Yes hibernava e muito lentamente começava os trabalhos para um novo álbum. A fome de bola do Yes alternativo era tanta que, ao final da turnê mundial, voltaram ao estúdio para gravar novo CD. 

Capa do CD 'Anderson, Wakeman, Bruford and Howe', de 1989Capa do CD ‘Anderson, Wakeman, Bruford and Howe’, de 1989

 

E eis então que Jon Anderson reata a amizade com Squire e Rabin em 1990, ao mesmo tempo em que a gravadora recusa algumas das ideias musicais do “Yes alternativo”. Anderson pede a Rabin que ceda algumas músicas para reiniciar os trabalhos com o Anderson, Bruford, Wakeman and Howe. As músicas caem em cheio no gosto do “Yes alternativo” e então um empresário tem a ideia de remontar o Yes juntando os quatro músicos do Yes original e os quatro do alternativo. Cada um dos grupos jpa havia composto, gravado e mixado quatro músicas cada. Isso não foi impedimento, já que todas aparecem no CD “Union”, lançado em 1991. Capa do CD Capa do CD “Union”, de 1991

 Pela primeira vez o Yes aparecia em CD como um octeto – vocal, baixo, duas guitarras, dois teclados e duas baterias. Essa formação saiu em turnê pelos Estados Unidos e Europa – um DVD/CD sairá em 2011 com trechos desta turnê. 

É claro que os egos inflados e enormes eram muito maiores do que o espaço no palco. Houve insatisfações, resmungos, mas nenhuma discussão grave. A turnê foi bem-sucedida, mas ao final cada músico seguiu seu caminho. O Yes só retornaria em 1994 com o CD “Talk”, com a formação que gravou “90125” – Jon Anderson, Chris Squire, Tony Kaye, Trevor Rabin e Alan White. A turnê deste álbum passou pelo Brasil em 1995. Quem assistiu aos shows na época do octeto ficou admirado ao constatar a qualidade técnica e o profissionalismo dos músicos em apresentações impecáveis, embora já sem a mesma empolgação dos anos 70.

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