Winger no Brasil: oportunidade de ser ver bons músicos

Estadão

02 de setembro de 2010 | 08h30

Roberto Capisano Filho

Quem gosta de rock tem uma boa oportunidade de ver de perto bons músicos em ação. A banda americana Winger fará seu primeiro show no Brasil no dia 17 de outubro. Formada por Kip Winger (vocal, baixo e teclado), Reb Beach (guitarra e vocal), John Roth (guitarra e vocal) e Rod Morgenstein (bateria), a apresentação será no Carioca Club (Rua Cardeal Arcoverde nº 2899, em Pinheiros).

Formado na década de 80, o Winger, apesar de competente, nunca chegou a ser uma banda do primeiro escalão do rock. Por aqui, seu grande sucesso foi a balada Miles Away, do álbum lançado em 1990 chamado In The Heart of the Young. O som pode ser descrito como um pop-metal, mas de instrumental vigoroso.

Mesmo quem torce o nariz para esse estilo precisa reconhecer que estamos falando de bons músicos. O baixista Kip Winger tocou com o lendário Alice Cooper. O baterista Rod Morgenstein foi integrante do Dixie Dregs, que tinha em sua formação ninguém menos que o atual guitarrista do Deep Purple, o excelente Steve Morse.

O Dixie Dregs iniciou seu trabalho por volta de 1975, fazendo uma fusão de rock instrumental e jazz. Mais tarde mudou o nome para apenas The Dregs e passou a contar com vocais em suas composições.

Sobre Rod Morgenstein posso dizer que é um excelente baterista, com uma execução muito limpa e precisa. Ele é canhoto e não apenas conduz com a mão esquerda como também monta sua bateria obedecendo a isso (muitos bateristas conduzem com a mão esquerda mas não são propriamente canhotos, um exemplo é Billy Cobham, um mestre no instrumento).

Tive a oportunidade de assistir a um workshop de Morgenstein em São Paulo na década de 90. Muito didático, soube passar com clareza sua maneira de tocar bateria. Entro aqui em um terreno mais técnico. Essa dica que ele deixou na ocasião repasso agora aos bateristas de plantão. Perguntado como fazer para tocar fills (frases ou viradas) criativos, ele recomendou misturar grupos de três, quatro e seis notas. Ou seja, a ideia é mesclar tercinas e sextinas com semicolcheias e descobrir assim combinações que soem bem com essa alternância de toques. Vale usar não apenas as mãos, mas combinar com os pés, seja com bumbo simples ou duplo. Muito bom.

Em determinado momento do workshop ele surpreendeu, pelo menos a mim, ao dizer que adorava o estilo de tocar de Ringo Starr, o baterista do Beatles. Ringo nunca foi um músico de grande técnica e passa longe de um virtuose do instrumento. Porém, Morgenstein explicou sua predileção: ele considera genial a batida de Ticket To Ride. Segundo ele, a levada dessa música é uma marca registrada. Basta ouvir o início para já saber de que música se trata. Pois é, Morgenstein mostrou que muitas vezes vale mais algo cuja execução não exige grande técnica mas tem personalidade do que algo cheio de notas e complicado mas sem alma. Afinal, música é isso, ou não? Recado dado.

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