'Wind and Wuthering', o álbum relegado do Gênesis

Estadão

06 de agosto de 2011 | 17h00

 Márcio de Paula Moraes – Laboratório de Temas *

Não há dívida de que o Gênesis foi uma das mais importantes bandas progressivas da história do rock. Álbuns como Nursery Cryme (1971), Foxtrot (1972) e Selling England By the Pound (1973), se tornaram referências máximas como obras de artes convertidas em notas musicais.

O vocalista Peter Gabriel foi uma espécie de mentor do Gênesis, uma caricatura musical que exalava criatividade e inovação; um maluco como todo gênio é. A vertente atmosférica de canções como Firth of Fifth, de Selling England…, traduz a essência superior do Gênesis. Uma música para ser ouvida dezenas de vezes e toda vez perceber algo novo nela. Esse encanto musical e a profundidade na teoria do som progressivo talvez sejam os maiores atributos da banda, mas sem dúvida, uma qualidade indissociável de Peter Gabriel.

A formação clássica do Gênesis era composta por Peter Gabriel (vocal), Steve Hackett (guitarra), Tony Banks (teclados e piano), Mike Rutherford (baixo) e Phil Collins (bateria).

 

 

 

  Capa do disco Wind Wuthering

Mas em 1976, Peter Gabriel já havia deixado a banda, quando o Gênesis lançou seu sétimo álbum considerado infelizmente por muitos como um álbum fraco: Wind & Wuthering. Com a saída de Gabriel, Phil Collins assumiu o comando da banda e deu um novo “ar” às músicas, e foi justamente com Collins no comando que a banda ficou mais conhecida e produziu músicas de maior repercussão no mundo inteiro.

Wind & Wuthering traz toda a complexidade que envolve o progressivo, mas também promove uma aurora , digamos, “romântica” que algumas faixas denotam. Mas longe de ser um disco romântico, o que caracteriza bastante os discos solo de Phil Collins. Wind & Wuthering foi relegado pelos fãs, principalmente porque o Mentor já não estava mais na banda e a maluquice esvoaçou. Com este álbum, a banda deu um passo à frente, avançou, progrediu…

Membros do Gênesis em 1974

Não há como negar que Blood On The Rooftops é uma das canções que compõem o cast do Gênesis como uma das mais belas. Só por ela já vale o álbuns inteiro. A harmonia fixada pelos teclados, a marcação irreparável do baixo, a bateria “macia”, e a voz suave de Collins conferem um “som musical” do mais alto nível.

Wind & Wuthering é mais um dos grandes álbuns da banda ao lado de todos os outros anteriores, mesmo sem o Mentor.

* Márcio de Paula Moraes é jornalista, professor e editor do site Laboratório de Temas – www.laboratoriodetemas.com

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