Whitney Houston: mais brega impossível

Estadão

13 de fevereiro de 2012 | 11h58

Marcelo Moreira

É muito difícil encontrar cantora mais brega do que Whitney Houston a partir de 1990. Nada e ninguém a supera em cafonice e em mau gosto de parte do repertório. A cantora negra de voz maravilhosa e potência-vocal absurdos  admirava Aretha Franklin e queria ser a maior diva do fim do século XX . Ensaiou a conquista do topo, mas a opção por uma linha abertamente comercial e sem desafios acabou por ajudar a enterrar seus sonhos até o fim doloroso da cantora no último sábado.

Ironicamente, o maior sucesso de sua carreira pode ter contribuído decisivamente para recolocação artística equivocada como uma cantora pop de repertório meloso e cafona – embora tal definição contenha as imprecisões de praxe.

O filme “O Guarda-Costas”, que estrelou com Kevin Costner em 1992, é um dos piores de todos os  tempos, em todos os sentidos. Reuniu os clichês mais estapafúrdios que o gênero romântico oferecia e a trilha sonora, é claro, refletiu tal descalabro. A grande cantora optou pelo brega e pelo sucesso fácil, mas arriscado – fardo pesado demais, aparentemente, para a moça que queria ser Aretha Franklin.

O legado dela como artista é inequívoco. Ao lado de Michael Jackson, catapultou a música negra norte-americana para o patamar dominante nas paradas e no mercado nos anos 2000 – para o bem e para o mal. Os ecos da música de Houston são audíveis em Beyoncé, Rihanna e em uma série de outros artistas da chamada cena rhythm and blues dos Estados Unidos, seja lá o que isso signifique.

Se Whitney Houston um dia conseguiu quase alcançar o topo do mundo, como Dionne Warwick e Diana Ross, também desceu a ladeira muito rápido, tanto da vida quando musical. A opção brega-romântica, de alguma forma, eclipsou aquela que poderia ter sido a maior de todas as cantoras. “O Guarda-Costas” é o triste retrato da carreira de Houston, por mais injusto que isso aparentemente seja. Nem sua morte poderá redimi-la disso.


Whitney Houston foi homenageada no Grammy na noite deste domingo, em Los Angeles

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