Washed Out: a paz que invadiu o indie rock

Estadão

14 de agosto de 2011 | 23h00

Roberto Nascimento

Não é preciso procurar além do nome para entender a pegada do Washed Out. O som é mesmo lavado, desbotado, como aquela camiseta preta que hoje é cinza mas continua incontestavelmente na moda. Washed Out está na crista do hype. Trata-se do nome artístico de Ernest Greene, o mais incensado expoente do chillwave, gênero que preza por melodias lânguidas, sussurradas por cima de harmonias que preenchem e refrescam como brisa de verão.

É uma vertente tranquila do indie pop. Sonzeira espreguiçada, narcótica, com uma intenção delicada não muito distante da de João Gilberto. O chillwave é cria da internet, fruto de uma era em que músicos podem voltar para as cidades tranquilas de onde vieram (se é que de lá saíram) e produzir no silêncio protegido de casa.

Os nomes mais comentados do gênero, como Neon Indian, Toro Y Moi, Memory Tapes, brotaram em locais aleatórios dos Estados Unidos e não têm uma cena offline. Ernest é de Perry, na Georgia. Seu primeiro trabalho, Within and Without, lançado nos EUA no mês passado, é prenhe dessa sensação de tranquilidade e refúgio.

O dialogo entre outras eras do pop, como a dos anos 80, está presente nas melodias sintetizadas. Mas também há muito dos anos 90, especialmente nas batidas, que fazem referência à música pop influenciada pelo hip hop, dos anos 90 (quem esquece aquela batidona do Enigma?).

Em geral, Within and Without é um disco morno, gélido. Mas o propósito é exatamente este. No entanto, como demonstra um video do Guardian esta semana, a intenção fica mais clara ao vivo, quando se vê a cores que os músicos realmente querem fazer sonhar acordado.

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