Warpaint, as meninas-veneno da Califórnia

Estadão

01 Abril 2011 | 16h39

Roberto Nascimento

É fácil enganar-se com as fotos do Warpaint. São quatro moças californianas de bochechas rosadas e traços que sugerem a fase entre o fim da adolescência e o diploma da universidade. No disco, a história é outra. Primeiro da banda, “The Fool” é uma mistura invocadíssima de pós-punk com shoegaze, um opiáceo sonoro do bom, capaz de intimidar qualquer marmanjo cabeludo que se julgue roqueiro.

Não que o Warpaint, como sugere o nome (tinta de guerra) seja agressivo a la Hole ou Riot Grrrl. A imponência da banda se dá de modo sutil, em viagens amplas que se densificam com repetição, como massa no girar da colher de pau, cimento na betoneira.

Quando se dá conta, já se está sob a hipnose viscosa de Warehouse ou Undertow, seduzido pela vastidão de seus espaços, de suas melodias negras e lânguidas. O centro de gravidade do Warpaint é a baterista Stella Mozgawa, instrumentista de toque roliço, que navega uma série de ritmos, do punk ao rock clássico ao funk, com exímia aptidão.

A contundência da banda vem da forma com que Stella atrasa o ritmo e deixa as baquetas desabarem sobre o couro, aparentando um sutil desleixo cujo efeito é letal. Este veneno também é destilado nas letras da banda.

A banda Warpaint (FOTO: MIA KIRBY/DVULGAÇÃO)

Em Baby, por exemplo, a vocalista Emily Kokal canta: “Você não vai ligar para ninguém por que eu ainda sou sua baby”. É uma ameaça psicótica que reafirma que o Warpaint não está para brincadeira. Boa parte de “The Fool” é estática, com acordes menores inertes e melodias que pairam sobre eles. Mas de pouco em pouco Mozgawa toma conta do disco com seu suingue peculiar que, não inteiramente afro, mas certamente ritmado, põe o Warpaint para dançar.

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