Wander Taffo, um injustiçado no rock nacional

Estadão

01 de dezembro de 2010 | 08h18

Marcelo Moreira

Para minha surpresa, outro dia ouvi no rádio do carro a música “Lola”, clássico dos Kinks, banda inglesa dos anos 60, em uma versão feita nos anos 90 pelo extaordinário guitarrista Wander Taffo. Não ficou boa, soava comercial demais e a letra era bem sofrível.

Não ouvi até o fim, mas fiquei lebrando de um workshop que ele fez também nos anos 90 em seu IGT paulistano, hoje EM&T. O clima descontraído e a forma didática de como o cidadão expôs seu “conteúdo” deixavam claro o quanto ele conhecia seu instrumento e o quanto sabia de música.

Por coincidência li no mês passado uma homenagem a Taffo na revista Roadie Crew, na seção Eternal Idols. Nada mais apropriado. Morto aos 54 anos em 2008, o guitarrista deixou uma evidente lacuna gigante no espaço musical brasileiro – para abusar do clichê odioso – não só por ser virtuoso, mas principalmente por sua integridade e caráter.

Assim como sua versão de “Lola” que deixou a desejar, Wander Taffo também fez outras de qualidade questionável, mas teve o grande mérito de ser o descobridor do Dr. Sin, ao dar uma forma grande para os irmãos Andria e Ivan Busic e para Eduardo Ardanuy, todos com passagens excelentes pela banda Taffo, que fez um competente hard rock no final dos anos 80.

Descobriu muitos outros talentos, e foi um requisitado músico de estúdio e apoio, tendo tocado com Rita Lee e com váriso astros da MPB, alguns decentes,outros de qualidade bem duvidosa.

Seu Rádio Taxi,  banda de pop rock de bastante sucesso no começo dos anos 80, não representa a sua competência e seu virtuosismo, mas mostra um artista versátil, completo e inteligente, com pelno domínio do processo musical, desde a composição até a gestão empresarial – afinal, ele foi o visionário que fundou o IGT brasileiro nos mesmos moldes do norte-americano. Merece todo o meu respeito.

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