Wagner Moura desafinou. E daí?

Estadão

30 de maio de 2012 | 16h47

Daniel Fernandes

Não seria diferente. E Wagner Moura sabia. Seria impossível imitar a potente (lírica?) voz de Renato Russo no tributo organizado pela Mê Tê Vê na noite desta terça-feira em São Paulo. O ator e os dois integrantes originais da banda – Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos – também preferiram manter os arranjos originais das canções da Legião Urbana. E a voz de Wagner Moura sumia. Sumiu.

Teve mais erros.

O microfone do cantor-ator-capitão-Nascimento falhou em duas oportunidades diferentes. A guitarra de Dado Villa-Lobos, me disseram os entendidos, também não estava afinada na maioria das canções. E Bonfá errou a letra de Teatro dos Vampiros.

Mais.

A execução de Pais e Filhos, já no finalzinho do show, começou toda errada e precisou ser interrompida. Mais amadorismo, impossível.

 

E daí?

Não acho que era para ser perfeito. Se os organizadores quisessem algo tecnicamente bem arranjado para a homenagem poderiam ter muito bem chamado o Jerry Adriani. Ele atingiria todas as notas de Renato Russo.

Não era para ser perfeito. E não foi. Dado estava visivelmente emocionado e até o gélido Bonfá deixava claro que aquilo era muito especial, emocional, emotivo…..uma volta ás origens pós-punk da banda e do espírito (Do It Yourself). Eles foram. Subiram ao palco às 22h e emocionaram!

Por isso, vale mais a pena dizer que Dado e Bonfá pareciam músicos no auge da carreira. Envolvidos, emocionados, pingando gotas de suor honesto no palco. E Wagner Moura…Bem, ele parecia um adolescente escutando pela primeira vez um disco da Legião trancado no quarto de casa. Absolutamente tomado pelo espírito rebelde que um dia acompanhou a banda.

Wagner Moura não foi perfeito, mas cantou com emoção até quando o som falhou. A plateia – os cinco mil pelo menos que não eram vips – adorou e entendeu o que os críticos e famosos (?) não entenderam em suas metralhadoras de twittes e posts no Facebook.

Wagner Moura era um fã cantando aquelas músicas. Alguém do público. Algum garoto perdido entre primeiros amores e primeiras decepções em algum canto de qualquer cidade do País. Alguém que cresceu e viveu aquelas letras na pele, na alma. Alguém emocionado.

Wagner Moura desafinou. E daí?

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