Virtuosismo e energia em doses certeiras

Entre as grandes novidades da música instrumental brasileira estão o trio Macaco Bong, de Cuiabá, e os paulistanos Mobilis Stabilis e Neural Code, que misturam jazz, rock e blues com muita competência e técnica apurada

Estadão

11 de agosto de 2010 | 09h00

A maior sensação da música popular instrumental brasileira atual é um trio de Cuiabá (MT). Misturando rock pesado com experimentações e sonoridades regionais, o Macaco Bong consegue agradar aos radicais do rock e aos puristas do jazz.

A melhor definição do som dos cidadãos mato-grossenses veio de João Marcelo Bôscoli, da gravadora Trama, que apadrinhou o trio: “Baseado na desconstrução dos arranjos da música popular em seus formatos convencionais e aliada à linguagem das harmonias tradicionais da música brasileira com jazz/fusion/pop e etc, o Macaco Bong sempre busca nunca concretizar rótulos relativos às variedades nas vertentes dos gêneros musicais em suas composições, tudo isso aplicado tanto na estética quanto no conteúdo do rock’n’roll”.

Seu único álbum até agora é “Artista Igual a Pedreiro”, um dos campeões de downloads legais no site da Trama.

Mobilis Stabilis é um quinteto composto por veteranos da cena roqueira de São Paulo. iderado pelo guitarista Hélcio Aguirra, do Golpe de Estado, e formado por grandes músicos brasileiros, como Ney Haddad, Alaor Neves, João Luis Braguetta e Nobuga, o grupo faz o encontro de influências musicais as mais diversas que vão do rock progressivo à música indiana, do jazz fusion à música erudita.

O produto é o que chamam de “rock edge instrumental” – uma síntese diferenciada dessas múltiplas referências. O grupo acaba de lançar seu terceiro CD “Andando no Arame”.

O Neural Code segue uma linha parecida ao do Mobilis Stabilis. Formado por Cuca Teixeira (bateria), Kiko Loureiro (guitarrista do Angra) e Thiago Espirito Santo (baixo), o trio apresenta uma interessante mistura de instrumental, rock e jazz, criando uma sonoridade contemporânea e brasileira.

É o que podemos chamar de “jam band”, quando músicos virtuosos se reúnem para muito improviso em várias jam sessions.

Kiko Loureiro deixa de lado os solos velocíssimos e aposta na limpeza dos timbres e das notas, revelando uma veia jazzística surpreendente para quem o ouve no ótimo metal progressivo do Angra.

Quem rouba a cena, no entanto, é Thiago Espirito Santo, baixista vistuoso e eclético que já tocou com Hamilton de Holanda, Yamandú Costa, Toninho Horta e Hermeto Pascoal.

“NOISE JAMES” – MACACO BONG

“PENSATIVO” – NEURAL CODE

“MR. ED” – MOBILIS STABILIS

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: