Vampire Weekend, a tropa polirrítmica

Estadão

22 de dezembro de 2010 | 16h31

Jotabê Medeiros

O crítico Kelefa Sanneh, do New York Times, foi vê-los no seu início, em junho de 2007, tocando na GlassLands Gallery de Williamsburg, Brooklyn. E anotou que aquilo era uma espécie de culto de iniciados, um pocket show de colegas de faculdade da Universidade Colúmbia, além de músicos e jornalistas. Todos queriam conferir o fenômeno, que se dizia produto do “Soweto do Upper East Side”.

Passados três anos, é fabulosa a repercussão do grupo nova-iorquino Vampire Weekend. Ao lançar seu segundo disco, Contra, em janeiro deste ano, conseguiu a proeza de, em menos de uma semana, alcançar direto o n.º 1 da parada da Billboard, vendendo 124 mil cópias do álbum (vitória fácil sobre Susan Boyle, Ke$ha e Lady Gaga, segunda, terceira e quartas colocadas). O grupo toca em São Paulo em 1º de fevereiro de 2011.

O vocalista tem nome de poeta laureado: Ezra Koenig. Ele batizou a banda quando a criaram, em 2006 – Vampire Weekend era o nome de um filme amador que Ezra tinha produzido. Os amigos são Rostam Batmanglij (guitarra, teclados, vocais), Chris Tomson (bateria, percussão) e Chris Baio (baixo, vocais).

 Antes, Ezra e Chris Tomson tiveram uma banda de rap, L’Homme Run. Ezra também tocou saxofone em um grupo de free jazz, Total War, e em uma banda de afropop, The Dirty Projectors, de Nova York.

Lançaram em 2008 seu primeiro disco, que leva o nome da banda, e que os projetou como um fenômeno crítico (300 mil cópias só nos Estados Unidos e disco de ouro na Inglaterra). Em janeiro deste ano, saiu Contra (o nome não tem nada a ver com a Nicarágua, cuja revolução foi tratada politicamente em Sandinista, do Clash).

O Vampire Weekend não tem essas pretensões. Seu disco chegou e já encontrou o grupo globalizado, tema dos mais acalorados debates musicais – “netos” de Paul Simon? filhotes de Graceland? Sobrinhos bastardos de Peter Gabriel? O sucesso os levou ao mundo –Tailândia, Indonésia, Cingapura e Japão (e, em fevereiro, já chegam ao Brasil).

“(Contra) é mais triste que o primeiro (disco), um pouco mais sentimental”, disse Koenig. “As músicas são cativantes, os temas envolvem a dúvida, a perda e o arrependimento que se acumulam de forma quase imperceptível, mas juntos impressionam pela força.”

Eles começaram a gravar Contra em janeiro de 2009, duas semanas após uma turnê mundial de 18 meses. É uma excentricidade polirrítmica – só músicos convidados são 11. As letras de Ezra são desconcertantemente simples (“Uma vez tive uma sacada/Que eu e você/Poderíamos dizer tudo um ao outro/Durante dois meses”, canta, em I Think Ur a Contra).

Em março de 2009, a banda foi ao México. Em janeiro deste ano, gravaram um acústico para a MTV. Entre tudo isso, sobrou tempo para o tecladista Rostam Batmanglij arrumar espaço para lançar um disco com seu projeto paralelo de electro, ao lado de Wes Miles, do grupo Ra Ra Riot.

Não se enganem: pela mistura étnica que fazem em sua música, também ganharam ferozes detratores nestes anos recentes. A insistência em revitalizar algumas das mais desprezadas contribuições dos anos 80 também os tornaram avis raras na música pop mundial. Eles parecem ficar muito à vontade nesse cenário. “Liricamente, a confiança de Ezra também está crescendo”, anotou a publicação inglesa NME.

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