Valor dos fatos: o custo dos ingressos de shows é realmente justo?

Estadão

19 de dezembro de 2010 | 15h26

Carol Pascoal e Marina Vaz

Representantes das principais produtoras de shows do país explicam por que cobram tão caro. O Procon, uma advogada e o Divirta-se comentam as respostas:

ALEXANDRE FARIA – DIRETOR ARTÍSTICO DA TIME 4FUN

A venda de ingressos ‘paga’ o show?

Depende do artista. As receitas são a venda de tíquetes mais a venda de patrocínio.

Por que os shows são mais caros em São Paulo?

O impacto da meia-entrada é grande e a carga tributária também eleva os valores.

Você não acha os ingressos caros demais?

Não. Pode ser que um ou outro tenha sido, mas, se analisarmos nosso portfólio, eles tiveram uma procura compatível com a capacidade de cada local.

 Os festivais não são uma saída?

Grandes artistas, como U2, Bon Jovi e Rush, fazem shows customizados, não vão fazer parte de um festival. Só os artistas médios.

E quanto à taxa de conveniência?

Ela é opcional. A pessoa pode comprar na bilheteria oficial, sem taxa. Paga quem quer.

Por que a cobrança é porcentual, se a ‘conveniência’ é a mesma para todos?

Um valor fixo ficaria muito caro para ingressos mais baratos. E muito barato para ingressos mais caros… É. Haveria um desequilíbrio. Há também a taxa de retirada na bilheteria. Volto a repetir: basta comprar direto lá.

PALAVRA DO DIVIRTA-SE/COMBATE ROCK:

A taxa de conveniência é um valor adicionado aos ingressos comprados por telefone ou pela internet. As empresas cobram, em média, 20% a mais por esse serviço. A taxa de entrega a domicílio é cobrada à parte.

TAXA DE RECEBIMENTO – “Se o consumidor teve de se deslocar para retirar o bilhete, eu entendo que a taxa de entrega, neste caso, é infundada e afronta o Código de Defesa do Consumidor”, afirma a advogada Ellen Gonçalves.

JOÃO PAULO FONSECA – DIRETOR DA MONDO ENTRETENIMENTO

Quanto do custo de um show é suprido pela venda de ingressos?

80%. O restante é patrocínio.

O que determina o preço do ingresso?

O valor da produção e o potencial de venda de meia-entrada. Tem o patrocínio também, mas é sempre um risco, porque primeiro a gente fecha com o artista.

Como a Mondo se posiciona em relação à meia-entrada?

A gente respeita a lei municipal que propõe uma cota de 30% dos ingressos, mas, dependendo do fluxo, pode ser maior.

 Você acha os ingressos caros?

Acho. Mas tem que ser caro, por causa dos riscos altos dessas operações.

Como os festivais reúnem tantos shows por preços menores?

O Planeta Terra tem nossa curadoria, mas é um produto do portal Terra. Os investimentos feitos por eles subsidiam os valores de ingressos.

 Por que a cobrança da taxa de conveniência é proporcional ao valor do ingresso se o serviço é o mesmo para todos?

O serviço é terceirizado, mas a gente negocia o melhor para o consumidor. A taxa é respeitada pelas principais empresas do mercado.

* A advogada Ellen Gonçalves, que interpretou, a pedido do Divirta-se, a lei sobre a cota de meia-entrada, afirma que hoje a lei é considerada “inconstitucional e não está vigendo”. “Existe um projeto em trâmite no Senado Federal para regulamentar o tema e nele há a previsão de porcentual máximo, mas é apenas um projeto”, completa.

* Já o Procon afirma que a cota de 30% se aplica exclusivamente a estudantes de ensino técnico ou escolas de inglês, que têm direito ao benefício pela lei municipal. “Para os estudantes de ensino fundamental, médio e superior não pode haver cotas”, diz Renan Ferraciolli, assistente de direção do Procon-SP.

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