Vale mesmo a pena passar por isso?

Estadão

27 de novembro de 2010 | 16h03

 Marcelo Moreira

Foram R$ 450 por um ingresso para o show de Paul McCartney no primeiro dia, em São Paulo. Lugar vip, bem localizado dentro do estádio do Morumbi, embora superlotado. A apresentação é maravilhosa, mas a infraestrutura é absurda de ruim: banheiros sem papel higiênico, filas imensas, qualidade péssima de bebidas e alimentos – que custavam mais de dez vezes do que em uma lanchonete comum. Esse foi o relato de uma leitora do Jornal da Tarde na noite de domingo, dia 21 de novembro.

Quem costuma ir a megashows de música, em estádios, ou mesmo a jogos de futebol importantes, sabe muito bem o que é isso. Paga-se quase um salário mínimo (que hoje é de R$ 510) para assistir a um espetáculo, e o serviço é de décima categoria.

Qual a solução? Código de Defesa do Consumidor neles. Uma queixa no Procon contra os organizadores para formalizar o problema, seguida de uma ação no Juizado Especial Cível por indenização por danos morais – sem precisar de advogado, se a causa for inferior a dez salários mínimos (hoje R$ 5,1 mil).

Paul McCartney no Morumbi, em São Paulo (FOTO: FILIPE ARAÚJO/AE)

O problema é que ninguém se importa com isso. Reclama-se do lixo de serviço prestado, alguns até enviam cartas a jornais denunciando o fato, mas ninguém vai de fato ao Procon e ao Juizado Especial Cível para acionar os promotores.

A causa está ganha se for ao Juizado Especial Cível? Não. Decisão judicial é como jogo de futebol: impossível adivinhar o resultado, por mais explícitas que sejam as evidências de vitória para um o lado ou para outro.

Mas só o fato de levar essas empresas estapafúrdias a ter de dar explicações perante um juiz ou mesmo a uma autoridade do Procon é louvável, pois mostra que tem gente que não se contenta com pouco – no caso do show de Paul McCartney, nada – que oferecido a quem paga um ingresso que custa quase um salário mínimo para ser tratado como presidiário rebelado.

Um ingresso de R$ 450 equivale e US$ 267. Com esse valor é possível assistir a um show uma superestrela do rock nos Estados Unidos em camarote vip, com direito a bebida e comida. Na Europa, idem. Aqui, paga-se esse valor para ficar de pé, na chuva, no meio do tumulto, levando cotoveladas, copos com urina na cabeça e outras coisas.

Já que os órgãos estatais de defesa do consumidor não cumprem suas funções, resta a Justiça para tentar a reparação.

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