Vah Halen surpreende e faz álbum muito melhor do que o esperado

Estadão

03 de fevereiro de 2012 | 17h00

Marcelo Moreira

Uma tentativa desesperada de buscar ecos do passado, mas feita com competência e de forma descontraída e espontânea. O Van Halen parece ter reencontrado o prazer de existir, mesmo que tenha perdido parte expressiva de sua relevância dentro do rock. Ficar 14 anos sem lançar nada novo e ter feito apenas duas turnês neste período cobra um preço alto, mas é possível suplantar isso com qualidade musical.

“A Different Kind of Truth”, que será lançado na próxima semana, tinha tudo para jogar o Van Halen de novo para baixo, como ocorreu com “Van Halen III”, de 1998, com Gary Cherone (Extreme) nos vocais.

O primeiro single do novo álbum, “Tattoo”, era enganoso e de longe é a música mais fraca do grupo. Não só trazia ecos do passado muito distante: era uma releitura de uma música dos anos 70 nunca lançada, mas tocada em shows na época. Os temores aumentaram com as reclamações iradas de fãs norte-americanos com o que consideraram “reciclagem” e falta de inspiração.

Felizmente o restante do álbum passou por cima da má imagem que “Tattoo” deixou. É um CD alegre, vibrante e cheio de groove e suingue. É certo que está a milhões de anos-luz dos melhores trabalhos da banda, gravados na primeira metade dos anos 80, mas é muito melhor do que se podia esperar.

De certa maneira, em uma analogia tosca, “A Different Kind of Truth” está para a carreira do Van Halen assim como “Death Magnetic” para o Metalilca – muita gente não esperava muita coisa boa após o decepcionante “St. Anger”.

O climão dos anos 70 e 80 estão lá, assim como o talento de Eddie Van Halen. O baixo está bem mais discreto, já que Wolfgang Van Halen, filho de Eddie, é mais técnico em alguns momentos do que o Michael Anthony, o baixista original, mas é bem mais contido.

“She’s a Woman” e “Blood Fire” são pérolas saídas diretamente do fantástico “Women and Children First”, de 1980, com o groove característico da banda, com leve acento pop e grudento. “China Town” e “Bullethead” são um pouco mais pesadas e aceleradas, típicos rocks de arena e perfeitas para fazer um show engrenar. “The Trouble With Never” e “Outta Space” formam uma dobradinha ótima, acrescentando um peso peculiar ao hard rock mais festeiro.

A surpreendente qualidade do álbum anda entusiasmando críticos norte-americanos e brasileiros, alguns considerando “A Different Kind of Truth” como obra-prima ou fantástico. Flagrante exagero. Quando nada se esperava dessa reunião sem muito futuro, eis que surge um álbum muito interessante e agradável.

De certa forma, pode-se dizer que começou a ser gestado ainda em 1996, quando David Lee Roth aceitou o convite de Eddie Van Halen para gravar duas músicas inéditas para a coletânea “The Best of Vol. 1”. “Me Wise Magic” e “Can’t Get This Stuff No More” foram duas tentativas de resgatar um passado que já era distante naquela época, mas que remetia a um período onde os músicos tinham prazer em compor.

As duas músicas eram boas, mas não o suficiente para que Roth decidisse permanecer na banda – e também não eram boas o suficiente para que Eddie deixasse de lado seu projeto de gravar músicas mais soturnas e melancólicas, que apareceram em “Van Halen III”, com Cherone cantando.

O novo trabalho do Van Halen é uma grande notícia (e enorme alívio) para quem gosta de rock nestes tempos difíceis para quem curte coisa boa. O quarteto cometeu um trabalho muito bom – bom o suficiente para resgatar grande parte do prestígio que a banda já teve.

Atual formação do Van Halen: Alex Van Halen, David Lee roth, Eddie Van Halen e Wolfgang Van Halen (baixistam filho de Eddie)

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