Vaccines faz show em velocidade máxima

Estadão

22 de abril de 2012 | 15h00

PEDRO ANTUNES

Mais rápidos do que uma bala. Na noite de anteontem, no Cine Joia, os ingleses Vaccines pareciam não conseguir conter a ansiedade que impulsiona os jovens a apressar demais as coisas. Assim foi a apresentação em São Paulo: um show curto, elétrico, desesperado. Tudo em 50 minutos.

Mas não se pode dizer que era falta de vontade do quarteto de 20 e poucos anos, porque o que eles mostraram em cima do palco foi garra e vontade de provar que, sim, eles podem ser sua nova banda favorita. Mas ainda precisam de mais estrada – e mais discos.

Falta fôlego a Justin Young (guitarra base e voz), Árni Hjörvar (baixo), Freddie Cowan (guitarra solo) e Pete Robertson (bateria). Estão crus, mas isso não deve ser colocado na conta deles. Com o vídeo da música If You Wanna despretensiosamente colocado no YouTube, em agosto de 2010, eles caíram nas graças da crítica musical inglesa e foram chamados de “novos salvadores do rock”. O rock não precisa ser salvo e o quarteto não estava preparado para carregar esse peso nas costas.

Quando veio o álbum What Did You Expect From The Vaccines? era visível o grito desesperado: o que vocês esperam do The Vaccines? Espera-se exatamente o que são: uma banda jovem, que sabe aliar o novo com o velho, o rock inocente dos anos 50, com ecos do pop e do pós-punk oitentista, e as guitarras ruidosas da escola dos Ramones e The Strokes. E, claro, que se divirtam no palco.

A banda Vaccines em ação (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Falta, contudo, repertório. O único disco do quarteto londrino não chega a 35 minutos em 11 faixas. Para segurar um show de tempo razoável, a banda precisou inserir em seu roteiro canções novas, que deverão ser enxertadas no esperado segundo álbum. Arriscaram-se em frente de um público que, apesar de se mostrar bastante receptivo às canções mais conhecidas, como If You Wanna, Post Break-Up Sex, All In White e Family Friend, não sentiu o mesmo afeto novidades.

Veio a explosiva Tiger Blood, incluída como a terceira do show, uma referência pura aos The Strokes – não por acaso ela foi produzida pelo guitarrista da banda, Albert Hammond Jr: tem vocal preguiçoso em contraste com a energia das notas agudas vindas da guitarra. Depois, exibiram Teenage Icon, um rockabilly distorcido, a divertida No Hope e, por fim a soturna Bad Mood, a pior das três, um punk denso e econômico.

Eles tocaram todas as 11 músicas do disco, três inéditas e fizeram o mise en scène do bis, mas o show não durou mais de uma hora. O furacão Vaccines passou rápido por São Paulo. Com mais alguns anos (e novos álbuns) o estrago será maior. Por enquanto, foi o suficiente para abalar algumas estruturas do Cine Joia. E, agora, o que esperar do Vaccines? Mais de uma hora de show, pelo menos.

Tudo o que sabemos sobre:

The Vaccines

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.