Unisonic, a decepção do ano até agora

Estadão

26 de abril de 2012 | 07h02

Marcelo Moreira

A decepção roqueira do ano até agora era uma das bandas mais aguardadas. O supergrupo Unisonic, que prometia ser a verdadeira redenção do cantor alemão Michael Kiske, tem tudo o que um bom grupo de rock tem de ter, exceto uma coisa fundamental: inspiração.

O álbum de estreia da banda, autointitulado, traz algumas boas ideias, mas falta força e carisma. Aparentemente, Kiske canta de forma burocrática, sem interesse, transformando o que poderia ser uma banda de power metal vigorosa em um grupo que faz um hard rock comum, insosso e sem tempero.

O trabalho marca a volta de uma parceria importantíssima dentro da história do rock: Kiske e Kai Hansen, que eram a linha de frente da banda alemã Helloween em sua melhor fase, entre 1987 e 1990. A banda, que foi pioneira do power metal e do metal melódico, lançou duas obras-primas no período: “Keepers of the Seven Keys” e “Keepers of the Seven Keys part 2”.

Vinte e dois anos depois, a inspiração definitivamente sumiu. O cantor ficou mais de dez anos longe do mundo musical desde que saiu brigado do Helloween, em 1993, lançando esporádicos álbuns solos – foram três –, além de participações ocasionais em projetos de amigos, como Place Vendome, Supared e Kiske/Somerville (parceria com a cantora norte-americana Amanda Somerville), todos voltados para o soft rock e hard rock.

Já o guitarrista Hansen criou no início dos anos 90 o ótimo grupo Gamma Ray, com a participação breve mas intensa do cantor excepcional Ralf Scheepers.

Com a saída deste, o guitarrista assumiu os vocais, ao mesmo tempo em que ajudava o amigo de infância Piet Sielck, renomado produtor e que integrou uma das formações iniciais do Helloween, na banda Iron Savior.

O dois músicos, com o suporte da cozinha da banda alemã Pink Cream 69 –  Dennis Ward (baixo) e Kosta Zaffiriou (bateria) –, mas o guitarrista suíço Mandy Meyer (ex-Gotthard e Krokus), demonstraram que ainda precisam buscar o entrosamento de 25 anos atrás para transformar o hard rock de “Unisonic” em algo que mereça destaque.

A faixa-título, lançada em um EP em janeiro chamado “Ignition”, claramente era enganosa, com seu ritmo frenético, guitarras gêmeas pesadas e um trabalho vocal interessante de Michael Kiske. Indicava que o grupo poderia, ao menos, seguir um pouco a linha do power metal à la Helloween.

Com alguma boa vontade, é possível destacar, além da faixa-título, “King of a Day” e “My Sanctuary”. As demais são fracas e sem a pegada necessária de um grupo estrelado como o Unisonic. O EP “Ignition” saiu no Brasil pelo selo Hellion Records, que deve lançar também o CD em breve.

 

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