Uma rápida passagem por shows recentes em São Paulo

Estadão

16 de dezembro de 2011 | 06h48

Marcelo Moreira*

* JON ANDERSON – CITIBANK HALL – SÃO PAULO –  13 DE DEZEMBRO – A cena é inusitada. Um dos maiores cantores da história do rock sozinho no palco, munido apenas de um violão e um pequeno teclado/sintetizador. Jon Anderson está sem o seu amado Yes desde 2008, quando foi obrigado a passar por duas cirurgias – cordas vocais e na coluna. Seus companheiros de quase 40 anos de estrada decidiram que não podiam (ou não queriam) esperar e o substituíram por um clone, o canadense Benoit David, que cantava em uma banda cover do Yes. Aquele homem franzino no palco do Citibank Hall (antigo Palace), na última terça-feira, mostrou acima de tudo dignidade ao ficar por mais de uma hora e meia tocando hits de sua ex-banda e de sua careira solo. Agradou em cheio os fãs puristas de rock progressivo e aqueles que realmente buscavam apenas e tão somente boa música cantada divinamente.  Entre os bons temas desfilados estiveram “Under Heaven’s Door (Never Ever)” e “Everyday Love”, canções mais recentes, e a ótima “Find My Way Home”, parceria com o músico grego Vangelis nos anos 80. Do Yes, dois grandes clássicos, “Close to the Edge” e “And You And I”, que levaram à aclamação de toda a platéia. Também foram muito bem recebidas “Heart of Sunrise” e “The Revealing Science of God (Dance of the Dawn)”. Um grande show.

*MAYAN – CARIOCA CLUB – SÃO PAULO – 26 DE NOVEMBRO – O supergrupo holandês mostrou muito mais do que o esperado. Peso, melodia e delicadeza se misturaram em uma noite memorável. A confirmação de última hora da presença de Floor Jansen (ex-After Forever) só reforçou a tese de que a noite seria espetacular. A banda é formada por Mark Jansen (vocal, Epica), Isaac Delahaye (guitarra Epica, ex-God Dethroned), Frank Schiphorst (guitarra, Symmetry), Rob van der Loo (baixo ex-Delain, ex-Sun Caged), Jack Driessen (teclado, ex-After Forever) e Ariën van Weesenbeek (bateria, Epica e ex-God Dethroned), além das participações especiais de Simone Simons (vocalista, Epica), Henning Basse (vocalista, Sons of Seasons), Laura Macri (aclamada cantora de ópera). O show foi dividido em duas partes, sendo que a primeira foi dedicada ao primeirop álbum da banda “Quaterpast”, e a segunda contou com músicas do Epica e vários covers, além da apresentação de trechos de óperas. Uma aula de bom gosto e qualidade musical.

CHILDREN OF BODOM – CARIOCA CLUB – SÃO PAULO – 4 DE DEZEMBRO – Um dos grandes nomes da atualidade no death metal fez um show competente e coeso, concentrando parte do material no mais recente álbum, “Relentless Reckless Forever”. Muita energia e entrosamento perfeito deram a tônica de todo o show. A nova “Shovel Knockout” foi um dos destaques, assim como as clássicas “Are You Dead Yet”, “Living Dead Beat” e “Children of Bodom”.

 CANNIBAL CORPSE – CARIOCA CLUB – SÃO PAULO 3 DE DEZEMBRO – Uma tempestade infernal de som, barulho e peso descomunal. O Cannibal Corpse, um dos ícones do death metal, mostrou como se faz um show de música extrema com competência e versatilidade. O insano vocalista George “Corpsegrinder” Fisher transformou o Carioca Club no verdadeiro inferno e enfileirou uma série de clássicos de que destruíram tudo: “Evisceration Plague”, “A Skull Full of Maggots”, “Death Walking Terror”, “I Cum Blood” e muitos outros. As bandas Black Dahlia Murder e Suicide Silence, que abriram a noite, fizeram apresentações bem competentes.

DARK FUNERAL – CARIOCA CLUB – SÃO PAULO – 10 DE DEZEMBRO – Nome importante do black metal, o Dark Funeral fechou o 10 Extreme Metal Fest. Muito competente no seu estilo, mostrou carisma e muita energia, começaram o massacre sonoro com “Stigmata” e depois mataram com “My Funeral”. Mantiveram o pique por toda a apresentação, tornando o local na verdadeira sucursal do inferno. Destaque ainda para as insanas “Open the Gates”, “Heart of Ice” e “Shadows Over Transylvania”.

ROSS THE BOSS – MANIFESTO BAR – SÃO PAULO – 10 DE DEZEMBRO – O ex-guitarrista do Manowar merecia um pouco mais nesta sua primeira visita ao Brasil. O local do show eraacanhado para os padrões mesmo de um artista sem muito carisma e com pouca visibilidade a partir dos anos 90. Nada disso foi empecilho, no entanto, para que o músico fizesse um bom show. Houve espaço até mesmo para músicas do Manowar.

SAXON – HSBC BRASIL – SÃO PAULO – 22 DE OUTUBRO – Metal clássico executado por mestres do gênero. Nada mais empolgante do que um show do Saxon em forma, com vontade de tocar. Mais de duas horas de clássicos enfileirados e que mostram como é possível manter a integridade e a paixão quase 40 anos após a fundação da banda. Byff Byford, o vocalista, é um mestre de cerimônias que não gosta de enrolação. Vai direito ao ponto e não deixa a adrenalina baixar. Não fala muito, mas mantém todo o clima constante de festa e de celebração.  Divulgando o ótimo álbum “Call to Arms”, tocaram deste as faixas “Hammer of the Gods”, que abriu o show, “Back in ’79” e a épica faixa-título. Os hinos e os clássicos vieram na sequência: “Heavy Metal Thunder”, “Dallas 1 PM”, “Motorcycle Man”, “Denin and Leather”, “Wheels of Steel”, “Crusader”… uma aula de música e de rock.

AEROSMITH – ARENA SKOL ANHEMBI – SÃO PAULO – 30 DE OUTUBRO – Tinha tudo para vdar errado. Ontegrantes brigando e ameaçando o vocalista de expulsão, doenças aos montes, idade avançada, crise criativa… Tudo conspirava para que o show do Aerosmith fosse um fiasco – ainda mais depois do bizarro acidente de Steven Tyler no hotel em Assunção, no Paraguai, quando desmaiou non quarto de hotel e machucou bastante o rosto. Mas o quinteto msotrou ter sete vidas e ressuscitou novamente, com uma apresentação empolgante e energética, até mesmo descontraída. Se os hits dos anos 90 predominara, com as indefectíveis baladas como “I Don’t Want to Miss a Thing” e “Amazing”, houve espaço para clássicos até então adormecidos, como “Train Kept a Rollin'”, “Sweet Emotion”, “Last Child”, “Mama Kin”, “Draw the Line” e a rara balada “Angel”. Diversão garantida e de qualidade.

OVERKILL – CARIOCA CLUB – SÃO PAULO – 4 DE NOVEMBRO – Os mestres do thrash norte-americano não gostam de firulas. O show foi curto por uma série de atropelos e de problemas de logística e de infra-estrutura, o que fez com o que os músicos não perdessem tempo: porrada atrás de porrada. “Rotten to the Core”, “Wrecking Crew”,  “Infectious”, “Bring Me the Night, “Ironbound” e outros sucessos. Muito peso, muita garra e competeência.

* Com informações de Carlos Roberto Lessa, Paulo Martins e José Luís Lima

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