Uma homenagem a Júlio Michaelis Júnior, do Santuário

Estadão

17 de fevereiro de 2011 | 08h22

Marcelo Moreira

Ainda que um pouco tarde, não poderia deixar de registrar aqui uma homenagem simples ao cantor Júlio Michaelis Júnior, que morreu no final do ano passado aos 48 anos. Ex-vocalista so Santuário, importante banda de rock pesado do Brasil nos primórdios do heavy brasileiro, nos anos 80, teve de ser internado às pressas em dezembro devido a complicações de sua saúde frágil.

Ele e o irmão Ricardo, o Micka, guitarrista, lideraram o Santuário até 1986, quando teve de deixar a música para se tratar de um tumor na medula. O rigoroso tratamento de rádio e quimioterapia acabaram por deixar sequelas, que afetaram sua saúde pelos 25 anos seguintes.

Júlio era um dos personagens principais do documentário “Brasil Heavy Metal”, dirigido e produzido por seu irmão Ricardo Michaelis, hoje um dos mais respeitados publicitários de São Paulo. O documentário registra a última performance do vocalista, na gravação de um clipe e de ma música inédita do Santuário.

Em homenagem a ele e a todos que gostam e que acompanharam o metal nacional no seu começo, republico aqui texto do ano passado, escrito por mim,  que anunciava o lançamento do docmentário.

Após a Tropicália, no comecinho dos anos 70, qual foi a outra cena musical marcante no Brasil? Punk dos anos 80? Rock brasileiro da mesma década, com Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e outra coisas do tipo?

 Acertou quem pensou no heavy metal nacional que despontou a partir de 1980, coincidindo (foi mera coincidência mesmo) com a New Wave of British Heavy Metal.

O resgate desta cena musical é um projeto fantástico do publicitário, produtor e diretor de cinema Ricardo “Micka” Michaelis. “Brasil Heavy Metal”, o documentário, deve chegar às telas brasileiras em outubro, mostrando que o heavy metal nacional, cantado ou não em português, foi muito forte e importante artisticamente, mesmo estando à margem da mídia.

Foram quase 50 entrevistas com músicos de bandas como Viper, Angra, Sepultura, Vírus, Salário Mínimo, Centúrias, Harppia, Stress, Inox, Patrulha do Espaço, Volkana, Ratos de Porão e muitas outras, relembrando boas histórias e recuperando informações fundamentais de shows e gravações que contam a história da música pesada no Brasil.

brasilheavy

O primeiro trailer do projeto multimídia – envolve o documentário, shows de lançamento com as bandas participantes, gravação de CD e outras coisas – já foi divulgado na internet e você pode ver ao final do texto. Parabéns a Michaelis pelo trabalho bem feito e pleo resgate da memória da música pesada brasileira.

P.S.: Por que o heavy metal brasileiro teve uma “cena” e o punk e o rock brasileiro não? Porque os headbangers eram unidos e havia muito auxílio mútuo para divulgar as bandas, que eram realmente amigas e tinha objetivos comuns.

Houve isso no comecinho do punk brasileiro, mas várias desavenças (muitas por motivos puramente idiota-ideológicos) acabaram por dispersar o “movimento”, fazendo com que perdesse relevância muito rápido.

Na minha opinião, não deu tempor de formar uma cena consistente. Em relação ao pop-rock nacional abraçado pelas gravadoras e pela mídia, seria ofensivo a muita gente dizer que realmente havia uma “cena” ou um “movimento” minimamente conduzente com as palavras. Havia até amizade entre algumas bandas, mas não dá para dizer que tinha objetivos comuns.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.