Uma defesa veemente da música eletrônica

Estadão

30 Janeiro 2012 | 06h30

O texto que reproduzimos abaixo é uma contestatação a um tema abordado aqui em janeiro de 2011 sobre a música eletrônica. Sob o título “Música eletrônica não é mpusica, é barulho”, eu defendo que a maior parte do que é e foi produzido no gênero é som artificial cuja serventia apenas se aplica às pistas de dança e mais nada. Também afirmei que, em minha opinião, DJ não músico, é apenas DJ. Surpreendentemente, e de modo inexplicável, esse texto foi desenterrado na semana passada e finalmente descoberto por meio de compartilhamentos no Facebook. Provocou uma série de reclamações e contestações, bem como comentários de todos os tipos. Jorge Boratto, empresário e ex-produtor de música eletrônica, faz uma defesa do gênero. O texto original pode ser acessado aqui. (Marcelo Moreira)

Inicialmente o meu agradecimento ao jornalista Marcelo Moreira, pelo espaço cedido e que teve a infeliz idéia de afirmar que música eletrônica é barulho, não é música e que Dj’s podem ser qualquer coisa, menos músicos… entre outras bobagens!

Primeiro – Como você pôde afirmar que o Dj não pode ser músico? Você está muito enganado!!! Vou dar 2 exemplos de Djs brasileiros que são músicos (poderia citar muitos outros, mas como combinado, tenho direito a escrever “apenas” 3000 caracteres):

Gui Boratto: estudou piano clássico durante 5 anos, toca guitarra e baixo, além de compor suas próprias músicas…

Dj Fabio Castro: um vocalista que qualquer banda de rock gostaria de ter, canta muito, toca guitarra… compositor!!! músico de primeira!!!

Fazem em média, 12 apresentações por mês, com cachêss que variam em torno de R$ 15 mil cada show!!! Ou seja, ganham muito mais do que a grande maioria dos jornalistas que estão por ai… concorda???

E ai entra a sua outra afirmacão descabida – música eletrônica é barulho, não é música! Marcelo, você pensou direito ao escrever isso??? Seu editor concordou em publicar tamanho absurdo??? Ora, quem gosta de barulho!!!??? Ninguém que eu conheça!!! Veja os grandes festivais de música eletrônica ao redor do mundo arrastando multidões… sucesso absoluto!!!

Dentro de qualquer estilo musical existem pessoas com mais e menos talento, artistas que alcançam um sucesso maior e isso acontece também no jornalismo, medicina, publicidade, etc…

Existe música eletrônica de qualidade e existe lixo, assim como no rock e qualquer estilo musical ou profissão… ou você coloca Led Zeppelin na mesma “cesta” que Detonautas por exemplo??? HAHAHAHAHAHAHA

Tem outro detalhe que o senhor desconhece… muita gente que gosta de música eletrônica gosta de rock também, gosta de MPB… e gosta de sertanejo… Por que não???

Os radicais sempre foram vencidos!!! Você é radical… e será vencido também!!!  Será vencido pela coerência… pela alegria de poder ser livre para gostar de música eletrônica, música clássica, rock, mpb, etc…

Se música eletrônica não fosse música, fosse barulho, não teria tanta gente consumindo, não haveria tantos artistas vivendo desse tipo de música, por que não teria ninguém para ouvi-los!!! 

Será que eu poderia afirmar que jornalista que não trabalha no Le Monde, New York Times ou Munique On Line não é jornalista?????

Acho que não né???

Open Your Mind!!!!

JORGE BORATTO – EMPRESÁRIO E EX-PRODUTOR DE MÚSICA ELETRÔNICA

P.S.: O Combate Rock agradece o texto enviado e a disposição de debater de forma saudável, ainda que com provocações, um tema que tanta repercussão teve nas redes sociais na semana passada. Mantenho as minhas posições manifestadas no texto original: DJ não músico, e até se pode discutir se é um artista; música eletrônica é artificial, sem alma e 90% do gênero não passa de barulho. Em nenhum momento a importância ou o tamanho do segmento foi abordado e, portanto, questionado. (Marcelo Moreira)

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