Um rápido panorama atual do melhor do heavy nacional

Estadão

06 de novembro de 2010 | 23h30

Marcelo Moreira

O que há de bom no metal nacional? Essa foi a pergunta de um garoto de 15 anos fã de música extrema que encontrei em um casamento recentemente. Em menos de dois minutos citei umas 20 bandas que merecem audição. O pai do garoto, que não tem 40 anos de idade, sugeriu que eu desse algumas indicações neste Combate Rock.

Rapidamente, listei os mais recentes lançamentos das bandas mais notórias de heavy metal nacional brasileiras, aquelas que acho que representam bem o estilo no Brasil e tem potencial alto para trilhar uma carreira internacional de peso, se é que já não obtiveram sucesso no exterior:

Dr. Sin – É regravação do primeiro CD, de 1993, mas merece a menção. O trio paulistano chamou de “The Original Dr. Sin” o bom trabalho do ano passado. Com uma produção um mulhão de vezes melhor e com vocais mais maduros e experientes, o trabalho é uma pérola diante da mediocridade do mercado nacional atual. E o melhor, cantado em inglês, como tem de ser o verdadeiro rock.

Shaman -A nova formação dos paulistanos do Shaman produziu o que de melhor se fez no heavy metal feito no Brasil. Seus dois mais recentes CDs, “Immortal” e “Origins”, são pesadíssimos, com guitarras estonteantes e muito bem produzidas, além de um fenomenal trabalho de bateria. O novo vocalista, Thiago Bianchi, substituiu André Matos à altura. A edição 2009 de “Immortal” traz um CD bonus, “Anime Alive”, gravado no festival de mesmo nome.

 

André Matos – Logo após sair do Shaman, lançou o melhor CD brasileiro de heavy metal, “Time to Be Free”. Em 2009, o cantor paulistano subiu a qualidade e lançou “Mentalize”, bem mais pesado e mais experimental, com letras mais densas e sonoridade européia. Uma aula de música pesada bem feita.

Kavla – “Surreal” é a prova de que, de onde se menos espera, de vezem quando surge coisa ótima. Catorze anos depois do CD de estreia e de muita letargia, o sexteto paulistano lança o melhor trabalho do underground nacional em 2009. Muito pesado e com duelos de guitarras em todas as músicas, consegue dosar de forma equilibrada o metal progressivo com a veia tradicional do estilo. Ouça “Impersonal World”.

Korzus – Thrash metal legítimo, com produção de primeira qualidade feita pela própria banda. “Discipline of Hate” resgata a fúria que o quinteto tinha nos anos 80, quando tinha em sua formação o mestre Sílvio Golfetti nas guitarras. Desde já é um dos melhores CDs de 2010.

Nervochaos – Death metal em estado bruto e puro, uma pancada na orelha de derrubar qualquer um. “Battalions of Hate” traz de volta uma das melhores bandas de metal extremo das Américas, capaz de fazer frente ao grande Krisiun. O trabalho é deste ano e mostra o quanto os integrantes amadureceram e aprenderam. O direcionamento musical é o mesmo desde os primórdios, ou seja, é aquele Death Metal de cunho tradicionalista, extremamente técnico e variado, calcado na antiga escola brasileira.

Krisiun – Merece a citação porque hoje é a banda brasileira mais importante no cenário internacional. Seu último trabalho, “Southern Storm”, é de 2008, e para mim é o melhor já gravado pelo trio de irmãos gaúchos até agora.

Wizards – Desde sempre foi uma das melhores bandas de heavy metal que surgiu no Brasil. Entretanto, por questões de mercado e por divergências internas, a banda paulista nunca decolou, encerrando as atividades várias vezes e sempre recomeçando cada vez de forma mais compliucada e difícil, apwesar do sucesso no Japão e de cinco álbuns lançados. “The Black Knight” é o novo e ótimo trabalho, recém-lançado, seguindo na linha temática histórias medievais e contos de cavaleiros. O vocalista Christian Passos é excelente e nada deve a gente como Edu Falaschi e André Matos.

Pastore – “The Price For The Human Sins”, recém-lançado, é uma aula de power metal e faz jus à carreira de mais de 20 anos de Mario Pastore, talvez o mais injustiçado cantor de metal do Brasil. Muito virtuosiimo e peso inacreditáveis marcam a reestreia do músico, agora acompanhado por dois instrumentistas de respeito,  o guitarrista Raphael Gazal e do baterista Fábio Buitvidas. Um álbum coeso, muito bem composto e produzido.

Torture Squad – “Aequilibrium” foi lançado no começo do ano e conseguiu ser melhor do que o que já era excelente. Thrash metal de primeira, mostrando o porquê de a banda ter vencido a batalha das bandas iniciantes do Wacken Open Air, o maior festival de heavy metal do mundo.

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