Um pacote de clássicos do rock nos saldões dos grandes magazines

Estadão

26 de julho de 2013 | 07h00

Marcelo Moreira

Surpresa agradável em alguns saldões de grandes magazines: a Sony Music e a EMI reeditaram em CD algumas pérolas de seu catálogo, que foram arrematadas por grandes lojas e estão sendo vendidas por preços entre R$ 9 e R$15, especialmente nas Lojas Americanas e em algumas unidades do Carrefour que ainda vendem DVD e CD.

O melhor fica por conta da discografia do AC/DC inteira, em formato digipack. Existem cópias as montes e é possível comprar toda a coleção por pouco mais de R$ 200, divididos em até seis vezes no cartão de crédito – ou em oito vezes, dependendo da promoção do dia.

Para quem gosta de Pink Floyd, duas opções de trabalhos solo de boa qualidade de seus integrantes. “David Gilmour” é o primeiro álbum homônimo do guitarrista da banda, lançado em 1978, mais voltado para o rock básico, com pitadas de folk e blues, passando bem longe do rock progressivo. É um trabalho delicado e com produção bem simples, mas com alguns solos ótimos.

Capa de ‘David Gilmour’

“The Pros and Cons of the Hitch Hinking” é o primeiro trabalho individual do baixista e vocalista Roger Waters, lançado originalmente em 1984. Conceitual, teve a participação de Eric Clapton, que também tocou na turnê de divulgação. Não é tão inspirado como suas obras com o Pink Floyd, mas ratifica que o músico é um artista inteligente e com bons argumentos, intensificando sua veia política e sua habilidade como compositor. Seu trabalho seguinte, “Radio K.A.O.S.”, de 1987, é uma evolução em todos os aspectos de sua obra musical, com referência direta a “The Pros”.

Capa do álbum de Roger Waters

Já “Blow by Blow” é uma verdadeira obra-prima do guitarrista inglês Jeff Beck, e é considerado por muitos críticos o seu melhor trabalho. Lançado em 1975, com produção de George Martin (Beatles), é a sua primeira incursão no jazz rock, após quatro anos dedicados ao soul rock (segunda encarnação d Jeff Beck Group) e hard rock (o power trio Beck, Bogert and Appice).

A mudança radical no trabalho do versátil guitarrista espantou o mercado e causou estranheza em um primeiro momento, apesar das maravilhas instrumentais como “Diamond Dust”, “‘Cause We’ve Ended as Lovers”, de Steve Wonder, e uma versão funkeada com beat box de “She’s A Woman”, dos Beatles. No anos seguintes ele mergulharia mais fundo no gênero, trabalhando com o guitarrista John McLaughlin (Mahavishnu Orchestra), o baixista Stanley Clarke e o tecladista Jan Hammer, que depois ficou mais conhecido por trilhas sonoras de seriados de TV, como “Miami Vice”.

Também de Beck é o estupendo “Perfoming This Week… Live at Ronnie Scott’s”, de 2007, um CD ao vivo (também lançado em DVD) mostrando m repertório mais blueseiro, tendo como companhia a jovem baixista australiana Tal Wilkenfeld, então com 22 anos de idade. É um dos trabalhos imperdíveis do guitarrista.

Por fim, “Presence”, do Led Zeppelin, originalmente de 1976, provavelmente o mais injustiçado trabalho do quarteto inglês. Sucessor do maravilhoso álbum duplo “Physical Grafitti”, de 1975, o álbum mostra uma experimentação maior em termos de timbres e sonoridades, com o guitarrista Jimmy Page cada vez mais mergulhado nos estúdios.

Alguns temas eram sobras do álbum anterior, que foram retrabalhados, aparecendo mais pesados e densos, como “Achilles Last Sand” e “Nobody’s Fault But Mine”.

Também ficou marcado por uma tentativa de reeditar um blues pesado, ao estilo de “Since I’ve Been Loving You”, que se tornou um grande clássico da banda e do rock. A música em questão, “Tea for One”, não obteve o mesmo êxito, mas é um grande momento de “Presence”.

Capa de ‘Presence’

Para muitos, inclusive para Page, “Presence” é o início de uma fase de enormes problemas dentro e fora dos palcos e estúdios, que culminariam, de certa forma, no fim do grupo em dezembro de 1980, três meses após a morte do baterista John Bonham.

Durante as gravações, o vocalista Robert Plant estava preso a uma cadeira de rodas, em consequência de um acidente automobilístico ocorrido a Grécia em 1975, ferindo toda a família do cantor.

O auge do péssimo momento ocorreria durante a turnê norte-americana de 1977, e envolveu novamente Plant, recuperado dos ferimentos do acidente de dois anos antes. O problema foi  filho do músico, Karac, de 5 anos, que adoeceu repentinamente, aparentemente em consequência da ação de um vírus desconhecido que atacou  sistema respiratório.

Ante à gravidade, a banda interrompeu a sequência de shows e Plant voltou imediatamente para a Inglaterra, a temo apenas de presenciar a morte do garoto.  Por conta disso tudo, “Presence” soa como o último álbum onde o Led Zeppelin soa orgânico, como uma banda coesa e poderosa.

Seu sucessor, “In Through the Out Door”, de 1979, revela, de certa forma, falta de foco, apesar das boas ideias. O predomínio dos teclados – fruto da mão cada vez mais constate do baixista e tecladista John Paul Jones na produção – indicava uma nova direção musical, o que irritou profundamente os fãs mais antigos. Portanto, diante do contexto da segunda metade dos anos 70, “Presence” adquire importância mito grande dentro da discografia do grupo.

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