Um documentário para resgatar um país

Estadão

01 de maio de 2012 | 22h00

Julio Maria

Minutos antes de Osama Bin Laden atingir as Torres Gêmeas com os aviões dos próprios norte-americanos, Paul McCartney estava no ar. Chegava de Londres a Nova York quando teve a notícia de que o espaço aéreo dos EUA estava fechado, uma tragédia havia acontecido. O piloto deu meia volta, retornou à Inglaterra e Paul ligou a televisão.

Mais do que se envolver com o sentimento dos americanos no país que deu aos Beatles todo o reconhecimento que a própria Inglaterra demorou a oferecer, Paul McCartney se sentiu um sobrevivente. Era ele mesmo parte da história não na condição de um beatle, mas de um homem.

Um mês depois do ataque de 11 de setembro de 2001, com Manhattan ainda exalando fumaça, Paul idealizou a ajuda que, naquele momento, achou prudente prestar. Mais que dinheiro, sua música levantaria o moral e aliviaria a dor das famílias dos 3 mil mortos na tragédia.

Paul convocou os maiores astros que conhecia e chamou o cineasta Albert Maysles, amigo de longa data, o primeiro a fazer as imagens dos Beatles na América, para filmar os bastidores de tudo o que preparava. Maysles teve acesso a tudo, e deu especial atenção às estrelas convidadas às pressas.
São cenas de preparação de músicas e discussões de como elas deveriam ficar no palco. Não há canções integrais, importante dizer. O documentário não é o show, mas o caminho que se fez a ele.

Há momentos imperdíveis neste The Love We Make, como um em que Paul conta a Eric Clapton em uma salinha como é que deveria ficar a estrutura da música Freedom, o hino que o beatle compôs especialmente para a ocasião. The Concert For New York City foi um sucesso de adesões, com gente que pouco aparece mesmo em eventos do tipo, como David Bowie. Elton John, Billy Joel, o ex-presidente americano Bill Clinton, o ator Leonardo DiCaprio, Mick Jagger. Estão todos lá.

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