Um arremedo de Yes ao vivo, e uma dupla que tenta resgatar o legado da banda

Estadão

16 de janeiro de 2012 | 17h00

Marcelo Moreira

As intrincadas e dmagógicas relações pessoais entre os músicos do Yes, um dos gigantes do rock progressivo, causam situações inusitadas. Em 1989, o vocalista Jon Anderson deixou a banda pela segunda vez e se juntou a outros três ex-integrantes da banda – Steve Howe (guitarra), Bill Bruford (bateria) e Rick Wakeman (teclados) para criar um novo projeto, que ele teimava em chamar de Yes. Um absurdo, pois o Yes continuava existindo, sendo que o nome pertence ao baixista Chris Squire.

Anderson e os três companheiros acabaram chamando o projeto de Anderson, Bruford, Wakeman and Howe, lançaram um álbum e dois anos depois todos voltaram ao Yes, no projeto CD-turnê “Union”. Engoliram algumas mágoas e seguiram em frente.

Como amizade e solidariedade nunca figuraram entre os sentimentos que regem o Yes, Jon Anderson acabou sendo ignorado em 2008 quando a banda resolveu comemorar os 40 anos de existência com uma turnê.

O vocalista passou por duas cirurgias complicadas na época – nas cordas vocais e na coluna – e não pôde tocar com os companheiros, que não pensaram duas vezes: mantiveram as dtas da turnê e o substituíram por um imitador, o canadense Benoit David, que cantava em uma banda cover do Yes.

Rick Wakeman, que nunca foi muito amigo de Anderson, mas menos ainda de Chris Squire, achou uma grande sacanagem e se recusou a participar da turnê. Obviamente, foi excluído – mais uma vez – do Yes. O irônico da situação é que o substituto de Wakeman é o seu filho mais velho, Oliver, indicado pelo próprio pai (!!!!!).

No meio de tanta confusão, Anderson, já recuperado, e Wakeman resolveram se juntar para gravar um álbum em 2010, no intervalo de suas carreiras solo. Nunca foram muito amigos, mas o vocalista ficou grato pela solidariedade demonstrada no episódio de dois anos antes e fez uma visita ao tecladista.

Hiperativo, Wakeman convidou Anderson para conhecer o seu estúdio caseiro ultramoderno e ali começaram a brincar e a tocar. Dois esboços de música marcaram o nascimento de “The Living Tree”, lançado em 2010.

Rick Wakeman e Jon Anderson durante show na Inglaterra

Grandioso e sinfônico, como tudo o que Wakeman compõe, o álbum lembra demais o Yes da fase clássica, entre 1971 e 1974, que coincide com a chegada do tecladista. Soa datado, lembra demais a ex-banda dos dois, não traz novidade alguma, mas é muito bem feito e tem boas ideias.

A colaboração deu tão certo que fizeram um turnê norte-americana ainda em 2010, com algumas datas na Europa. Sem perder tempo, aproveitaram alguns shows e montaram “The The Living Tree In Concert Part One (2011)”, um álbum ao vivo editado pela Gonzo Multimedia em 28 de novembro passado,

O álbum ao vivo da dupla chega ao mesmo tempo às lojas que “In the Present – Live from Lyon”, do Yes, o primeiro registro ao vivo de Benoit David nos vocais. Foi gravado durante a turnê de lançamento do álbum “Fly from Here”, lançado em 2010.

A apresentação na cidade francesa não chega a ser constraangedora, afinal, trata-se do Yes. O problema é que falta vibração nas execuções de clássicos como “And You And I”, “Roundabout”, “Heart of the Sunrise” e mesmo nas músicas novas.

Aparentemente, o novo cocalista ainda não está muito à vontade no posto que foi de seu ídolo Jon Anderson. Oliver Wakeman faz o que foi pedido e emula sem afetação o magistral trabalho que seu pai criou. Chris Squire, Steve Howe e Alan White mostram-se burocráticos, bem diferente do show interessante que fizeram em São Paulo no final de 2010.

Seja como for, o Yes atual tocando em Lyon sem Anderson e Wakeman não justifica a sua existência atual, embora o material de “Fly From Here” seja de boa qualidade e mostre owe bastante inspirado. Se há algum resquício do Yes clássico e glorioso, o ouvinte deve procurar nas versões de estúdio e ao vivo de “The Living Tree”, da dupla Anxderson-Wakeman.

 

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