U2 estreia turnê em SP com direito a 'Trem das Onze', de Adoniran

Estadão

10 Abril 2011 | 07h27

Jotabê Medeiros e Lauro Lisboa Garcia – O Estado de S. Paulo

“Bahia! Paraná! Minas! São Pauloooo!”. Os gritos de Bono acirraram os ânimos regionalistas. A banda entrou às 21h40 deste sábado, 9, com o estádio do Morumbi cheio, cerca de 90 mil pessoas. Tocando Even Better Than The Real Thing, estava oficialmente aberta a temporada da aranha mecânica em São Paulo. Chegava uma das mais aguardadas turnês da atualidade, o show U2 360º.

Fotos: Mônica Bastos/AE

 

Pouco antes de o grupo entrar caminhando pela estrutura que é parte forma de aranha, parte nave espacial, parte uma gigantesca catedral, os equipamentos de som tocaram Trem das Onze, de Adoniran Barbosa, cantado em coro pelo público. “Soooou filho únicooooo”, gritavam. Depois, veio a senha para o início do show: a execução mecânica de Space Oddity, de David Bowie, um chamado para a pequena odisseia espacial do U2. O telão mostrava a banda caminhando em direção aos instrumentos e o público delirava.

Em seguida, veio I Will Follow, aquela que ganhou a participação mais ativa do público, seguida de canções do disco novo, como a música título No Line in the Horizon. O U2 emendava hit atrás de hit, como Misterious Way, Elevation, I Still Haven’t Found What I Looking For, e a plateia ensandecida entrava de cabeça nesse gigantesco “transformer do rock.”

Quando o quarteto irlandês subiu ao palco a chuva já tinha parado. Antes disso, o trio britânico Muse tocou, em pouco mais de 40 minutos, hits como Supermassive Black Hole, United States of Eurasia, Time Is Running Out e Plug in Baby. O telão circular foi o primeiro item da superestrutura do U2 a entrar em ação, mas o Muse foi prejudicado pela qualidade do som. A essa altura, pensava-se que coisas do tipo não ocorresse mais com bandas de abertura.

Ativismo. É diversão com uma missão, o negócio do U2. Houve momentos em que o Morumbi quase veio abaixo. Quando Bono cantou Sunday Bloody Sunday, foi de arrepiar. As plataformas do palco, “pontes”, são móveis, e levam a banda para todos os lados do gramado.

Pouco depois, no telão, um vídeo mostrou o astronauta Frank de Winne, a bordo da Estação Espacial Internacional, recitando um poema. E o bispo sul-africano Desmond Tutu, que ganhou o Prêmio Nobel, fazendo um pronunciamento.

Era a hora do ativismo, já quase no final. Bono agradeceu aos fãs e à Anistia Internacional pela campanha que libertou a líder política de Burma, Aung San Suu Ky Met, que ficou quase 20 anos presa por “acreditar na democracia”, segundo o U2. Um fã gritava: “Quero mais! Paguei caro!”. E o U2 parecia saber disso, porque o bis não ia terminar ainda. “Que noite!”, disse Bono, pouco antes do bis, que veio com One

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